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António Carraça: «Fazer no Millonarios o que fizemos na Luz»

Antigo dirigente das águias fala da aventura na Colômbia

• Foto: Paulo Calado

RECORD - Sagrou-se campeão pelo Millonarios em 2017. Foi uma vitória esperada ou surpreendente?

ANTÓNIO CARRAÇA – Foi uma época, do ponto de vista dos resultados desportivos, de sucesso. Nos últimos 40 anos o Millonarios foi campeão três vezes: 1988, 2012 e agora em 2017. O projeto que iniciámos há cerca de um ano foi o de reestruturar, reorganizar, pensar o clube. Pensar o futebol do clube de forma a que este sucesso desportivo seja mais regular, repetitivo, que possa construir um projeto ganhador. Potenciar novos jogadores, com talento, para poder reafirmar aquilo que são as duas torres que vão solidificar este projeto: ter sucesso desportivo e rentabilidade financeira.

R - E é tudo isso que quer implementar no Millonarios?

AC – Essa foi a génese da ideia do convénio entre Benfica e Millonarios. Poder contribuir com a nossa experiência, com os nossos conhecimentos, para a modernização do futebol colombiano, principalmente com a modernização do Millonarios, como um clube de ponta, moderno, reestruturado, organizado, com boas condições de trabalho e jogadores de talento.

R - Em que consiste o protocolo com o Benfica?

AC – Troca de ‘know-how’, de conhecimentos, abrir mercados, tanto para o Millonarios na Europa, como na América do Sul para o Benfica. Criar condições para potenciar jogadores para colocar na Europa. Logicamente, o Benfica é o grande beneficiado porque tem este privilégio com o Millonarios. Tem a ver com estas questões de otimização e potenciação, exatamente o que o Millonarios e o Benfica podem dar e receber.

R - O Benfica tem preferência sobre os jogadores do Millonarios?

AC –Sim, tem. Tem preferência pelos jogadores, mas quando não existir interesse, o Millonarios é livre de fazer os negócios que entender.

R - E em troca o Benfica...

AC –(interrompe) Cria condições para que o Millonarios possa ser um clube mais europeu do que aquilo que tem sido ao longo dos anos. Exatamente com essa inovação. São realidades completamente diferentes, mas que podem ajudar aos objetivos que o Millonarios tem de concretizar.

R - Quer colocar em prática no Millonarios aquilo que fez no Benfica?

AC –Dentro das condicionantes, é exatamente isso. Fazer no Millonarios o que fizemos no Benfica, na Luz. Quando cheguei em 2004 ao Benfica entrámos de acordo com o plano definido com o presidente Luís Filipe Vieira. Quando acordámos a minha ida para implementar esse projeto na formação, foi mais do que formar uma equipa, era preciso formar e qualificar jogadores. E não é por acaso que de 2004 a 2017, estamos a falar em 13 anos. Não há resultados passados dois anos.

R - Demora tempo...

AC – Quando começamos a formar, quando começamos com um projeto desta envergadura, tem de haver um corte completo e total. E foi isso que aconteceu e vamos fazer exatamente isso no Millonarios. Vamos potenciar, qualificar jogadores e poder ser um clube formador de referência, que possa ter o maior número de jogadores formados no clube. Depois, com talento e capacidades para poderem enfrentar um desafio europeu, que é um desafio muito diferente e mais difícil, que requer não só qualidades do próprio jogador, mas também outro tipo de capacidades ao nível mental, da formação e da educação. E esse é um trabalho que requer algum tempo e pessoas para o implementar.

Estrangeiro era desejo antigo

R - Trabalhar no estrangeiro era um desejo?

AC – Não vou mentir que haveria, com certeza, mercados que me poderiam agradar mais. Há ligas onde gostaria de trabalhar, como por exemplo a inglesa. A MLS é uma liga diferente, onde gostava de trabalhar. Mas posso garantir que estou feliz em Bogotá, no Millonarios. É um projeto profissional muito interessante. Bogotá é uma cidade fantástica, com uma qualidade de vida única, que mesmo aqui em Lisboa não temos. Segurança e cultura de vida diferente. Complicado é estar longe da família.

Por André Ferreira
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