O artista urbano Smile veio pintar a Record: «Arte e desporto casam muito bem»
Um dos mais consagrados graffiters da atualidade falou connosco antes, durante e depois de fazer um quadro. Por amor ao que é belo... e ao futebol
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SMILE - Não foi muito propositado. Sempre desenhei e nas aulas era o que mais fazia. Ali por 1998, 1999, havia uma revista para miúdas, a Super Pop. As minhas colegas todas tinham essa revista, que trazia sempre uns autocolantes. Numa das edições, saiu um autocolante com um graffiti e umas letras a dizer 'smiley' com um bonequinho. E eu copiei aquilo. A partir daí comecei a desenhar mais vezes por semana. Foi ficando. Isto sem sequer perceber o que é que era o graffiti. Depois, aos fins de semana, ia até Belém com os meus pais. Ao pé do Aquário Vasco da Gama, havia um mural brutal na altura Ficava sempre fascinado a ver aquilo. Mas nunca me tinha percebido o que é que era e como é que era a técnica. Mas foi daí que nasceu. E decidi que iria começar a assinar como Smile. Até porque quando eu comecei era tudo ilegal. Tínhamos que guardar segredo daquilo que fazíamos. Principalmente na escola, onde escrevíamos nas partes de trás das cadeiras, nas casas de banho, nos cacifos... Se alguém soubesse que era o Smile, estaria metido em problemas. Então só havia aquele núcleo dos que pintavam. Só ali sabíamos quem era quem. Hoje, já ninguém me trata pelo nome meu nome, que é Ivo.