Partindo do princípio de que "uma imagem vale mais do que mil palavras", a Associação de Futebol do Porto resolveu inovar na arbitragem. O novo CA, presidido por Carlos Carvalho, decidiu substituir uma das observações presenciais aos 19 árbitros candidatos a subir à categoria C2, por uma análise com recurso ao vídeo.

O objetivo é simples, explica o dirigente: "Obviamente que nunca poderemos acabar com a subjetividade da análise do observador, mas ao menos queremos dar ao árbitro a oportunidade de ser avaliado uma vez na época com um critério baseado no vídeo. É feita uma avaliação real e apontados os erros ao árbitro, que podem vê-los para saber o que podem corrigir."

Este grupo de árbitros é observado localmente em três jogos, mais um em que o processo é diferente: o CA da AF Porto contratou uma empresa para filmar os jogos, para depois os técnicos Luís Aguiar e José Ramalho fazerem a análise à sexta-feira. Caso a nota seja negativa, o árbitro é chamado e a reação tem sido positiva. Em termos de formação, o CA entende que os juízes se identificam mais com os lances dos seus jogos ou do seu distrito.

A intenção não é acabar com os observadores, conta Carlos Carvalho. "Essa tarefa não vai terminar, mas quisemos ter uma outra perspetiva. Ao mesmo tempo, é uma forma de descobrir novos talentos, para os lançar a nível nacional. A outra preocupação é com a transparência nas classificações."

Do Porto para todo o país

Esta experiência iniciada no Porto tem vindo a merecer críticas positivas por parte de outras associações, mas a ideia não era nova. "Já há muito tempo que se pensava nisto, mas alguém tinha de avançar com o projeto. Espero que se alargue agora a outras associações, porque vale realmente a pena. Temos aqui uma oportunidade de descobrir novos valores e evitar que alguns se percam", revela Carlos Carvalho.

Começar na AF Porto também não foi por acaso, acrescenta o dirigente: "Somos a associação mais antiga do país e a que tem um maior número de jogos. São 550 jogos por semana só de futebol, com mais 200 e tal do futsal. Temos 22 mil jogos por época, o que não é brincadeira nenhuma. Se percebermos que temos um quadro de apenas 600 árbitros, então já podemos perceber que há uma grande gestão a fazer."

Autor: Miguel Pedro Vieira