Nos dias que correm, um dos temas dominantes no mundo da arbitragem prende-se com aquilo que os árbitros levam para casa no final do mês. Pela voz da Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF), a classe pede um aumento salarial à Liga e as conversas têm continuado sem haver entendimento, pelo menos por agora.

Ora, é no meio deste ‘turbilhão’ que Record dá a conhecer a forma como funciona a remuneração dos árbitros em Portugal. Logo para começar, importa explicar que todos os valores apresentados nestas páginas são brutos e que apenas os profissionais e internacionais têm a segurança de um rendimento garantido no fim do mês. Entre os 22 da Categoria C1, nove têm esse estatuto e auferem 2.500 euros como salário base, aos quais se juntam 500 euros de subsídio de treino e uma diária de 134 euros que se aplica quando os jogos acontecem em dias de semana. Os nove juízes que aqui se enquadram são Jorge Sousa, Artur Soares Dias, Carlos Xistra, Hugo Miguel, Fábio Veríssimo, João Pinheiro, Tiago Martins, Luís Godinho e João Capela.

Quanto vale cada jogo

Para os outros 13 árbitros da principal categoria, o rendimento vem de cada jogo e da atividade que têm profissionalmente. Como o leitor pode ver no quadro, cada encontro da Liga como árbitro principal vale 1.342 euros, um valor que desce para os 939 na 2ª Liga. Já a função de quarto árbitro vale 320 euros no principal escalão e 235 no segundo, ao passo que ser vídeo-árbitro rende 335 a cada árbitro. Diga-se que os profissionais recebem da Federação Portuguesa de Futebol, enquanto os prémios de jogo chegam aos árbitros através da Liga.

Para se perceber qual pode ser o ‘recibo de ordenado’ de um árbitro ao final de um mês, Record fez as contas de Jorge Sousa, o melhor árbitro na época passada. O valor chegou aos 9.839 euros brutos, mas vai sempre variar.

Jogadores ‘perdem’ no salário mínimo

Feitas as ‘contas’ dos árbitros, o nosso jornal também decidiu olhar para aquilo que são os salários mínimos dos jogadores na Liga e na 2ª Liga e comparar com o que um árbitro pode auferir no final de cada mês. No caso do principal escalão do futebol português, o rendimento mínimo é calculado mediante uma fórmula que engloba a Retribuição Mínima Mensal Garantida (RMMG), que é estabelecida pelo Governo. Assim sendo, o salário mínimo de um jogador corresponde a três vezes a RMMG, ou seja, a 1.671 euros por mês.

Já as contas referentes à 2ª Liga foram recentemente atualizadas entre a Liga e o Sindicato de Jogadores Profissionais de Futebol. O rendimento mínimo de um jogador do segundo escalão passou a ser 1,75 vezes a RMMG, resultando num total de 974,75 euros.

Quanto aos árbitros não profissionais é impossível fixar um rendimento mínimo, embora apitar um jogo da 2ª Liga seja suficiente para ultrapassar a base salarial dos jogadores desse escalão. Por outro lado, para ultrapassar o mínimo de um atleta do campeonato principal, um árbitro precisa de um jogo como árbitro principal e outro como quarto árbitro.


Autor: Pedro Gonçalo Pinto