Nestes últimos dias temos assistido a decisões pouco habituais de quem gere a arbitragem em Portugal. A FPF começou por divulgar a gravação áudio das comunicações entre equipas de arbitragem incluindo o VAR. Apesar de ser uma novidade que abre caminho para uma maior transparência da arbitragem, é sempre questionável o motivo de tal divulgação.

Nestas jornadas temos assistido a erros graves onde o VAR não cumpriu a sua missão, penáltis por assinalar e algumas expulsões não efetuadas e nunca a FPF divulgou as gravações áudio. Sou defensor de que a arbitragem tem de interagir mais com a sociedade, dar a conhecer a ‘pessoa’ é importante para entender o ‘Árbitro’, mas esse caminho tem de ser feito com critério e não com medidas estéreis que só servem para alimentar a polémica.

A FPF sempre se refugiou nas regras da FIFA como desculpa para continuar a colocar a arbitragem num patamar diferente de toda a realidade do futebol. Surpreendentemente à quinta jornada, numa decisão ‘avulsa’, decidiu divulgar parte da gravação referente a um lance bem decidido e com elevada importância no resultado desportivo.

Logicamente muitas questões se levantaram sobre o motivo deste ‘timing’, da escolha do lance e até mesmo dos intervenientes do jogo, o que levou mesmo à divulgação, à pressa, de outra gravação. Esta decisão tomada desta forma é um tiro nos pés, abrindo um precedente grave que pode tomar proporções incontroláveis e indesejáveis.

Quem decidiu a divulgação? Qual o critério da escolha dos jogos e dos lances? Onde estão as gravações dos jogos onde aconteceram erros graves? Aconselho que promovam a divulgação das gravações na íntegra de todos os jogos contribuindo assim para uma maior transparência e equidade. Todos são iguais no ‘apito inicial’ e não pode ser uma entidade a ‘dividir’ sem critério agradando a uns e esquecendo outros.

Autor: Marco Ferreira