Depois de ter anunciado no início do mês o adeus aos relvados com apenas 32 anos, Rúben Amorim revelou ao programa 'Maluco Beleza', de Rui Unas, que gostou muito do Qatar como país, mas admitiu que ficou marcado pelo amadorismo do futebol local - o seu último clube foi o Al-Wakrah, ao qual foi cedido pelo Benfica.

"Nunca tinha jogado fora. O Qatar para viver, para a familia, é um pais espetacular. As pessoas não têm ideia da qualidade de vida no Qatar. Gostei muito", frisou o antigo médio, embora admitindo que "é preciso ter condições financeiras" para viver bem, pois trata-se de um "país caro".

Sobre os tempos passados no futebol qatari, onde chegou em agosto de 2015, Rúben Amorim foi esclarecedor. "Sabia que não teria muito sucesso lá", adiantou, lembrando um episódio concreto: "Os locais não recebiam há muito tempo e tive a infeliz ideia de dizer-lhes: vocês têm de bater o pé. Essas coisas prejudicaram-me muito. No Qatar fui expulso duas vezes e cá nunca o fui. Fui burro e não soube ganhar dinheiro."

Seleção no Mundial'2014

Rúben Amorim recorda também a presença na fase final do Mundial'2014, na qual Portugal não passou da primeira fase. "A preparação para o Brasil não foi a mais correta. Fomos para Campinas e o tempo que fazia lá não tinha nada a ver com os sitios onde jogávamos. Tivemos azar porque alguns jogadores surgiram com problemas físicos. Há coisas que acontecem que estão destinadas a ser assim", lembrou.

Mas o antigo médio também sublinhou outro fator muito importante no futebol. "No Europeu passamos o grupo com três pontos. No Mundial fizemos quatro e não passamos. Tem a ver com a sorte. As coisas podiam ter sido completamente diferentes. Correram mal, não estavam destinadas a ser de outra forma", frisou.

Importância do futebol

O antigo internacional português falou ainda da forma com o futebol afeta a vida das pessoas, independentemente dos respetivos clubes, sejam do Benfica, do FC Porto ou do Sporting. "Há milhões de famílias em que a sua semana depende do resultado", lembrou, dando o próprio exemplo.

"No meu primeiro dérbi, um Sporting-Benfica, em Alvalade, perdi por 2-1. Estive o fim de semana sem comer. A minha semana, o Benfica perdia, e eu ficava deprimido. E eu era um miúdo. Imagina pais de família... Conheço pessoas, racionais, que no futebol perdem completamente a razão", adiantou.

Arrependido de ter deixado a escola

Por outro lado, Amorim confessou o arrependimento por ter abandonado a escola precocemente. "Tinha um acordo com a minha mãe. Seguiria na escola até assinar contrato profissional. Assinei com 17 ou 18 anos. Hoje arrependo-me muito, se fizesse os exames podia ter feito o 12.º ano", revelou, acrescentando que quer voltar a estudar, em "algo ligado ao futebol".

Veja a entrevista neste link: https://www.youtube.com/watch?v=MXMLOaw083c&t=2s