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Jornalistas espanhóis contra proibição de publicação de dados

Dizem estar perante "um ataque à liberdade de imprensa"

Ozil é um dos jogadores visados
• Foto: Reuters
A Federação de Associações de Jornalistas de Espanha (FAPE) considerou esta quarta-feira a decisão do juiz de Madrid Arturo Zamarriego, que proibiu a publicação de informação sobre o caso 'Football Leaks', "um ataque à liberdade de imprensa".

A FAPE vê a decisão de Zamarriego, que a 2 de dezembro proibiu os 12 órgãos de comunicação social do escândalo 'Football Leaks' de difundir qualquer informação sobre os clientes da sociedade Senn Ferrero, como "um ataque à liberdade de imprensa" com "poucos precedentes na história democrática", num comunicado hoje divulgado.

No auto, datado de 2 de dezembro e a que a AFP teve acesso, o juiz do tribunal madrileno pede auxílio judicial às autoridades alemãs para que instem o Der Spiegel, depositário dos 18 milhões de documentos revelados pelo 'site' Football Leaks', e os outros membros do consórcio a não difundir nenhum dado relativo aos clientes de Senn Ferrero, entre os quais estão Cristiano Ronaldo, José Mourinho e Jorge Mendes.

De acordo com a AFP, o magistrado argumenta que as informações divulgadas pelo 'Football Leaks' resultaram de uma violação do direito de privacidade, uma vez que terão sido obtidas através de um ataque cibernético à empresa espanhola, que aconselha desportistas quanto ao regime fiscal.

Assim, o auto pretende "paralisar e/ou banir a publicação, em papel ou em formato digital, de informação confidencial de âmbito pessoal, financeiro, fiscal e/ou legal dos clientes da Senn Ferrero, a cujo consórcio de jornalistas European Investigative Collaborations (EIC) possa ter acesso".

A federação de jornalistas considera que o auto viola o artigo n.º 20 da Constituição espanhola, que protege o direito de "comunicar ou receber livremente informação verdadeira por qualquer meio de difusão".

"Os jornalistas não só podem difundir notícias verdadeiras de interesse público como têm obrigação de o fazer, sempre que cumpram o código ético da profissão", acrescenta a FAPE.

A 2 de dezembro, os membros do EIC, que incluem o Expresso, o Der Spiegel, o El Mundo, o austríaco Der Falter, o belga Le Soir, o dinamarquês Politiken, o italiano L'Expresso, o grupo francês Mediapart, o sérvio Newsweek e o romeno RCIJ The Black Sea, noticiaram que Cristiano Ronaldo evadiu, supostamente, milhões de euros em impostos através de uma sociedade nas Ilhas Virgens.

A informação, que também envolve outros jogadores, entre os quais Fábio Coentrão, Ricardo Carvalho ou Pepe, assim como o internacional alemão Mesut Ozil, do Arsenal, foi colhida a partir de 1.900 gigabytes de documentos a que o referido consórcio europeu teve acesso e sobre os quais trabalharam 60 jornalistas durante mais de sete meses.

De acordo com os documentos, cedidos aos citados OCS pela plataforma digital 'Football leaks', são muitas a estrelas do futebol internacional que se esforçam por ocultar os seus rendimentos ao fisco, dando como exemplos concretos os de Ronaldo e Ozil.
Por Lusa
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