Vasco Mendonça: «Está no nosso horizonte ter uma academia do Penafiel»
Líder da SAD aposta na formação, copiando a fórmula de sucesso do Deportivo da Corunha
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RECORD - Já se falou na possibilidade de um centro de treinos para o Penafiel?
VASCO MENDONÇA - Há um projeto de uma academia da anterior administração com a câmara, em que já há terrenos, já fomos ver os terrenos. Está no nosso horizonte ter uma academia do Penafiel, porque um dos pilares estratégicos é a formação. Tal como no Deportivo da Corunha, a formação é um pilar estratégico. Queremos que assim seja também no Penafiel.
R - Podemos dizer que neste momento a intenção é passar do papel ao terreno?
VM - Sim, temos de readaptar provavelmente o projeto às nossas necessidades, quer sejam atuais ou de futuro. É algo que ainda não vimos com olhos de ver, porque este ano quisemos focar-nos mais na equipa principal. A ideia é começar a olhar para todos os projetos que estavam planificados e que são bons para dinamizar o Penafiel, o clube e a cidade, porque há muito talento jovem. O Penafiel está um bocadinho adormecido na formação, os jovens vão para a Braga, Guimarães, já não digo para o Porto, mas para os clubes na periferia e queremos voltar a ter uma formação forte.
R - O Penafiel é um clube com história. A ideia será transformar o Penafiel num clube de referência?
VM - A ideia é um bocadinho essa. Tudo o que nós queremos para o Penafiel é voltar ao patamar mais alto, tanto a nível de formação como na 1ª divisão, voltar a ter um perfil forte, e isso passa também muito pela formação.
R - O que é que o Deportivo lhe pediu para fazer no Penafiel?
VM - O que me pedem é um bocadinho essas sinergias, passar toda a metodologia de um lado para o outro, tanto a nível de futebol, como a nível comercial, ou seja, a todos os níveis de negócio, de comunicação… Olhar para o talento que há em Portugal da mesma forma que olhamos para o talento que há na Galiza e em Espanha. É um bocadinho esse o desafio que temos. Em Portugal, queremos atingir outros patamares, achamos que é um mercado e um país com muito talento por explorar, achamos que há muitos contextos pouco ou mal aproveitados e achamos que podemos dar esse ‘plus’. O apoio do Deportivo, com toda a sua estrutura, ajuda-nos um bocadinho. Nestes primeiros anos é um bocadinho também perceber como são as coisas a nível institucional, com a Liga, com a Federação, criar essas relações. É fazer um bocadinho espelho do Deportivo em Penafiel, a nível de metodologia de trabalho.
R - E também fazer com que o Penafiel seja uma âncora do Deportivo no futebol português?
VM - Sim. O nosso investidor tem negócios em Portugal. É um bocadinho esse caminho também, de estar em Portugal em quase todas as vertentes de negócio, seja através do banco, a parte dos vinhos que havia na zona, e agora o futebol. Mas sim, também queremos que o Penafiel seja um apoio, de alguma forma, ao Deportivo, seja a nível desportivo, com os jogadores, seja em outros âmbitos mais institucionais.
R - Ter uma parceria com o Deportivo da Corunha tem mais significado para os adeptos do Penafiel do que se fosse com um clube de outra região de Espanha, pela proximidade geográfica?
VM - Acho que sim. Estamos a duas horas e meia de distância. No jogo da festa da subida do Deportivo estavam 20 pessoas de Penafiel e já tivemos muitas vezes pessoas de Orense, que são adeptas do Deportivo, que vão a Penafiel ver os nossos jogos. Há muito essa ligação que também queremos criar entre os dois clubes, também em termos de merchandising e de adeptos. Há uma ligação muito boa entre a Galiza e o norte de Portugal.
R - É uma espécie de confiança no vizinho?
VM - Avaliámos todas as multipropriedades que existem e há muitos clubes na 1.ª e 2.ª Liga que têm outros clubes por trás. Nós, geograficamente, somos os dois clubes que estamos mais próximos. Todas as semanas, por exemplo, há elementos da direção do Deportivo da Corunha que vão a Penafiel. Essa proximidade ajuda também a perceber o trabalho que se está a desenvolver no dia-a-dia entre os dois clubes e isso percebe-se também por parte dos nossos adeptos.
R - Em termos institucionais, como é que estão as relações com os outros clubes portugueses?
VM - Temos boas relações com todos os clubes, com a Liga, com a Federação, com a Liga um bocadinho mais ativa. Críamos um grande impacto pelo facto de um clube da 2.ª Divisão, a primeira coisa que fez foi investir em infraestruturas, e tanto a Liga como a Federação são conhecedoras do Deportivo da Corunha e do que é a liga espanhola, a nível de notoriedade e de como se fazem as coisas, e, como tal, vêem-nos como um exemplo por várias coisas que queremos implementar no futebol português.