Mateus Galiano viu o Gil Vicente descer enquanto disputava o Mundial’2006 com a camisola de Angola. O angolano, hoje com 31 anos, disputara nessa época 4 jogos e marcara 2 golos pelos gilistas e ficaria mais uma época em Barcelos. O seu nome ficou associado a um caso que pode mudar o quadro competitivo dos campeonatos profissionais. Mas tal não deverá ter efeitos na próxima temporada, pois a FPF e a Liga podem recorrer da decisão do Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa.

Caso a integração do clube de Barcelos seja uma realidade, ainda se pode argumentar que quem deverá ser penalizado com a descida. Para uma troca direta com o Gil, deveria ser o Belenenses, mas o campeonato de 2005/06 já está homologado e, em princípio, evita qualquer dissabor para os azuis do Restelo.

A perspetiva de alargamento entra, por outro lado, claramente em contraciclo com o desejo da Liga em reduzir de 18 para 16 o números de equipas participantes no campeonato principal, mas a verdade é que muitas vezes os projetos são ultrapassados pelos factos, uma situação que não é inédita no campeonato português.

O clube já venceu algumas batalhas jurídicas que se sucederam à hecatombe de 2006. O tribunal administrativo de Lisboa já condenara a FPF a pagar uma indemnização provisória de 500 mil euros relativamente a processos paralelos. O clube de Barcelos, note-se ainda, não só viu a sua equipa principal ser despromovida como o mesmo aconteceu com a equipa de juniores que disputava o campeonato nacional.

Tudo por ter recorrido aos tribunais comuns, ao ponto de a própria FIFA ter ameaçado de exclusão a FPF, situação que ajudou a condicionar o desfecho... que não o era. A FPF irá agora usar as suas armas e, pelo que conseguimos saber, o caso está longe de ter terminado. Pelo que as próximas edições dos campeonatos profissionais não serão afetadas por esta decisão. 


Indemnização de 20 milhões

O Gil Vicente reclama desde a primeira hora uma indemnização da FPF e da Liga pelos danos causados pela descida de divisão em 2006, depois de ter assegurado em campo a permanência. Os gilistas calculam o prejuízo em 20 milhões de euros. A equipa de Barcelos, saliente-se, viveu momentos muito difíceis e teve muitas vezes de ser o bolso do presidente Fiúsa a resolver os problemas, com os galos apenas a conseguirem regressar à 1.ª Liga em 2011/12, onde ficaram até 2015.

Autor: Eugénio Queirós