Uma exibição categórica, com momentos de grande brilhantismo e sofisticação tática, foi a resposta que o Benfica reservou para o primeiro momento da temporada em que iria valer a pena aferir o estado de saúde do campeão nacional. E houve de quase tudo na noite em que os encarnados, sob o comando de Rui Vitória, venceram o Vitória de Guimarães pela 7ª vez (!) consecutiva: golos a respeitar os mais altos padrões da estética, uma equipa afinada e até com algumas nuances interessantes em relação às últimas duas épocas e, entre outras notas positivas, a confirmação de que a águia acertou em cheio no seu reforço mais impactante para a nova época: Seferovic é, de facto, uma ‘peça de joalharia’, que permite novas e mais elaboradas soluções. Já se tinha percebido que o suíço tem golo e uma relação de amor correspondido com a baliza, mas os argumentos que acrescenta a este Benfica vão muito para além disso. Para já, 90 minutos prometedores a deixar água na boca aos adeptos e a confirmação de que os restantes ‘matadores’ – Jiménez e Mitroglou – não vão ter vida fácil caso continuem na Luz. A situação de Jonas, essa, não se discute.

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Voltou o mago

Para primeiro jogo da época, os 30 minutos iniciais foram alucinantes. Muito superior o Benfica, no entanto, com uma entrada que deixou o Vitória de Guimarães perto de ir ao tapete. O 4x4x2 habitual desde a chegada de Rui Vitória e as mesmas ideias-base no primeiro olhar sobre o campeão nacional. Está provado que o que tem funcionado pode continuar a resultar, em especial nas tardes e noites em que Pizzi se conseguir sentir tão confortável no ‘carrossel’ como ontem voltou a acontecer. Bem suportado por um Fejsa imperial, o cérebro do Benfica é um regalo no momento da criação. Foi muito pela ação de Pizzi que o Vitória de Guimarães passou exatamente pelas mesmas dificuldades que já tinha experimentado no Jamor, no último jogo da temporada anterior. A diferença no volume de jogo, porém, foi ainda mais flagrante desta vez. Quando Jonas abriu o marcador e pouco depois Seferovic fez o 2-0 (6’ e 11’), o Benfica já dominava a equipa de Pedro Martins e fazia dos minhotos aquilo que bem entendia.

Oxigénio inesperado

Em desvantagem e sem conseguir encontrar argumentos para travar a dinâmica das águias, o Vitória de Guimarães desmontou a ideia inicial e decidiu correr alguns riscos. Não tinha alternativa, de resto. Meteu mais gente na frente, houve outra liberdade para os laterais (sobretudo para João Aurélio) e a pressão passou a ser feita mais à frente. Foi quando o Benfica, já mais recuado, passou a gerir a vantagem de outra forma: com menos bola, mas sabendo que, quando a tivesse, haveria mais espaço para explorar. Poderia ter assim feito o 3-0 em várias ocasiões, quando Jonas, Salvio e até André Almeida chegaram a surgir isolados perante Miguel Silva.

O mexicano, claro

O erro de Varela a terminar a 1ª parte (43’) reabriu um jogo que chegou a parecer precocemente resolvido. O 2-1 pôs de novo o Vitória a sonhar e na segunda metade, aí sim, a emoção tomou conta de Aveiro. A ideia de uma igualdade até foi ganhando força porque, ainda muito cedo, o Benfica deu a sensação de ter quebrado fisicamente. O jogo passou a ser disputado mais longe das balizas, mas a equipa de Pedro Martins estava mais ameaçadora. Na guerra das substituições, porém, Rui Vitória, desequilibrou. Raul Jiménez acabou com as dúvidas e garantiu, em definitivo, aquilo que a águia justificou em pleno. A exibição de Pizzi, essa, não dá para explicar.

Autor: Nuno Farinha