Aos minuto 90' do Ac. Viseu-Benfica B (2-1), fez-se história. Depois de entrar no decorrer do segundo tempo, João Félix apanhou a bola a jeito e, sem deixar cair, rematou à entrada da área para o fundo das redes, fazendo o golo de honra dos encarnados. Com este gesto certeiro, tornou-se, aos 17 anos, 3 meses e 5 dias, no mais jovem de sempre a marcar na Segunda Liga.

João Félix contra o Ac. Viseu, onde fez história na 2.ª Liga
Na terra natal de Viseu, este médio-ofensivo que é considerado uma das maiores promessas das águias batia mais um registo histórico, depois de no ano passado se ter tornado no mais jovem a representar a formação secundária das águias nesta competição, na altura ainda com 16 anos, numa partida com o Freamunde em setembro.

É este o cartão de visita de João Félix, que chegou ao Seixal há dois anos, depois de sete temporadas no FC Porto - a última no Padroense, ao abrigo do protocolo entre os dragões e o clube de Matosinhos. Ainda com idade de juvenil, o centro-campista já atua pelos juniores, por quem tem brilhado, e em três ocasiões foi chamado por Hélder Cristóvão aos 'bês', na sequência da crescente aposta do clube nas suas pérolas. O primeiro golo pela formação secundária foi, assim, uma recompensa pela dedicação e evolução constantes. Mas nem isso lhe retirou o discernimento ou lucidez, como o demonstra a celebraçao contida do seu golo.

"É o feitio dele, sempre foi uma pessoa introvertida quando não conhece. Ficou contente, claro, mas era o 1-2, se tivesse sido o golo da vitória se calhar tinha celebrado mais. Ele disse-me que queria ter pedido a camisola que usou no encontro para ele, por ter marcado, mas só hoje é que a pediu, tal era a concentração no jogo", contou a Record o pai de João Félix, Carlos Sequeira, acrescentando: "Está muito feliz mas consciente de que ainda não conseguiu nada. Sabe que tem de continuar a dar 100 por cento mas espera chegar mais longe."

Experiência a repetir

O próprio Félix, à BTV, admitiu que o momento foi especial mas que tem de continuar a trabalhar para continuar a sua ascensão.

"Foi um grande sentimento, de trabalho recompensado. Tenho vindo a trabalhar este tempo todo para poder jogar, marcar e ajudar. Surgiu [o golo] mas não foi suficiente, agora há que continuar a trabalhar e pensar no próximo jogo. [A aventura na equipa B] está a ser muto boa, todos os colegas me ajudaram e integraram-me bem. É bom para o meu crescimento", confessou.

Tem brilhado nos juniores e, mesmo sendo médio, já apontou 10 golos esta época
Do Olival para o Seixal

Depois de sete temporadas na formação no FC Porto, João Félix chegou ao Seixal em 2015/16 para representar os juvenis - à imagem, por exemplo, de André Gomes, que fez o mesmo trajeto. Carlos Sequeira explicou ao nosso jornal o processo, referindo que a crescente aposta do Benfica na formação acabou por ser decisiva para a decisão dos pais e de João Félix em rumar até Lisboa.

"Quando mudou de clube não é que estivesse insatisfeito mas tínhamos a ideia de que o Benfica era algo mais vantajoso. O FC Porto não o mandou embora mas achámos que o Benfica seria a melhor opção, embora fosse uma incógnita. No Benfica têm-no ajudado muito e a experiência tem sido fantástica até agora", garantiu.

Futuro

Em junho do ano passado assinou contrato profissional, sinal da aposta do clube
Em evidência nos juniores - conta com 10 golos em 18 participações entre campeonato nacional e Liga Jovem da UEFA -, João Félix mantém os pés assentes no chão e sabe que os próximos tempos deverão continuar a ser divididos entre a formação às ordens de João Tralhão e a orientada por Hélder, sendo esse o seu foco.

"Ele não tem problemas em jogar tanto na equipa B como nos juniores. Este sempre foi o sonho dele, é ambicioso mas sabe que está longe ainda dos objetivos finais. Equipa principal? Neste momento está focado na equipa B e nos juniores. Já fez dois treinos na equipa principal e, se tiver oportunidade, claro que vai fazer tudo para a agarrar", explicou.

Não esquece as origens

Natural de Viseu, Félix começou a dar os primeiros toques na bola n'Os Pestinhas, escola de futebol em Tondela. O presidente do clube, Carlos Pedro Rodrigues, recorda uma criança muito dedicada e já a evidenciar enorme talento para a modalidade: "O que está a acontecer em nada que me surpreende. Na nossa formação, tivemos de o pôr a jogar sem ele ter idade. Era sub-9 e jogava nos sub-10. Por onde passasse, todos falavam dele. Levava sempre tudo muito a sério e é muito humilde. Ainda hoje quando vem cá a Viseu cumprimenta toda a gente. Não falo com ele desde novembro mas sempre que pode vem ver os jogos d'Os Pestinhas'".

Autor: João Socorro Viegas