Cunha Leal, director executivo da Liga de Clubes, afirmou ontem, em conferência de Imprensa realizada na sede da instituição, que "a inscrição de Ricardo Rocha é válida" e também garantiu "não existir nenhuma razão para retirar a Taça de Portugal ou o 2º lugar no campeonato ao Benfica".

O dirigente da Liga explicou passo por passo como se processou a inscrição do defesa encarnado e assumiu a existência de uma irregularidade - a questão da data da assinatura do contrato do defesa ser anterior a 1 de Abril -, mas logo de seguida, baseado no Regulamento Disciplinar, referiu que "essa irregularidade é diminuta e foi sanada com a homologação do contrato pela FPF".

O contrato de Ricardo Rocha data de Janeiro de 2002 e, segundo o Artº 32 do Regulamento de Competições, os contratos não podem ser assinados antes de 1 de Abril.

No entanto, pelo Regulamento de Disciplina, um jogador que se vincule a um clube diferente do seu antes de 1 de Abril só é punido se o clube que representa não tiver conhecimento do documento. E foi esta "nuance" que levou tanto os responsáveis da Liga como da FPF a homologar o contrato de Ricardo Rocha.

"Conforme é do domínio público, em Janeiro de 2002 o Sporting de Braga autorizou Ricardo Rocha a subscrever contrato com o Benfica. Esse documento foi oficializado pela Liga em 8 de Maio e, posteriormente, devidamente licenciado pela FPF em 30 de Agosto", explicou Cunha Leal, asseverando que "não há razão para discutir a validade do contrato".

"Uma leitura particular das regras obriga a um raciocínio que visa proteger os contratos à revelia dos clubes. E o que se passa aqui é que a assinatura é anterior a 1 de Abril, mas o Sporting de Braga autorizou-a. Por isso, os juristas discutam o que entenderem, mas a verdade é que quem estava no executivo da altura entendeu estar tudo legal. Quem estava no serviço de contratos também o fez e, por fim, a FPF também não encontrou argumentos para não homologar a inscrição de Ricardo Rocha", mencionou Cunha Leal.

O antigo director executivo da Liga, Guilherme Aguiar, responde a Cunha Leal. "Exercia funções na altura em que foi registado o contrato, mas foi o dr. Cunha Leal que fez o registo do contrato do Ricardo Rocha e desafio-o a provar o contrário", frisou.

Nuno Albuquerque: «Competência do director»

Nuno Albuquerque reagiu em comunicado às declarações de Cunha Leal. "O registo de contratos no âmbito das competições profissionais é, nos termos dos estatutos da Liga e dos respectivos regulamentos, da exclusiva competência do director executivo. Nenhum outro membro da Comissão Executiva e, designadamente o signatário quando exerceu funções neste órgão, tem participação na análise do processo de registo de contratos e respectivos documentos", diz.

Benfica sugere manobras eleitoralistas

O Benfica não se sente afectado por este caso, afirmando estar tranquilo. "O alvo desta notícia ultrapassa a inscrição de Ricardo Rocha", sublinha Cunha Vaz, director de comunicação, acrescentando: "Não sei quem é o alvo, mas as eleições na Liga estão a aproximar-se e, se calhar, há quem esteja com pressa que elas aconteçam. Não podem é utilizar o nome do clube para justificar a vontade que têm em assumir protagonismo no futuro."

Camacho: «Não acredito num castigo»

Camacho não acredita que possa vir a perder o único título conquistado até agora na sua carreira de treinador. "Fiquei muito surpreendido, nem queria acreditar. Com tantos problemas que há em Portugal, não acredito num castigo ao Benfica. Não creio que por uma data ou um contrato se possa tirar um título a uma equipa. Disseram que era por termos utilizado um jogador que não podíamos utilizar, mas o contrato era de dois ou três anos. Bem, aí já não me meto...", afirmou.