O Benfica descobriu-o em Castanheira de Pêra, mas a chegada aos encarnados foi... um autêntico pesadelo. Aos 8 anos, no dia dos treinos de captação agendados para o sintético da Luz, João Carvalho começou a chorar e não quis entrar em campo. "Vi tanta gente...", recordou. Ultrapassado o susto inicial, a jovem promessa assentou arraiais no Benfica. O médio, 20 anos celebrados no dia 9 deste mês, é por estes dias o herói da nação benfiquista apesar de não vestir atualmente a camisola do Benfica: tudo porque, no domingo, marcou o golo do empate (1-1) dos sadinos no Estádio do Dragão, impedindo que o FC Porto destronasse os encarnados da liderança do campeonato.

Depois de na primeira metade da época ter alinhado pelas águias (somou 8 golos em 22 jogos em encontros da equipa B, Liga Jovem da UEFA e Premier League International Cup), João Carvalho foi cedido ao V. Setúbal em janeiro (o empréstimo prolonga-se até ao final da época) e, ao cabo do seu sexto encontro no principal escalão, estreou-se a marcar. Bem lá para trás ficou o sobe e desce de auto-estradas com o pai, antigo jogador da Académica, que o conduzia entre Castanheira de Pêra e a capital.

"Fazia 4 horas de viagem para vir treinar duas vezes por semana. Chegava a casa por volta da meia-noite ou da uma da manhã, jantava no carro, durante a viagem, e no dia a seguir tinha de ir para a escola. Era complicado", recordou em entrevista à BTV transmitida em novembro.

João Carvalho foi aposta de Hélder Cristóvão na equipa B das águias
Se é para "complicar", chamem o João

Desde que chegou ao V. Setúbal por empréstimo neste último mercado de transferências, João Carvalho - que tem contrato com o Benfica até 2020 - tem sido aposta de José Couceiro e já alinhou em sete jogos. O médio foi, depois do extremo Nuno Santos, o segundo jogador do Benfica a integrar, por empréstimo, o plantel principal dos vitorianos, um acordo que sadinos e encarnados oficializaram menos de 24 horas depois do Vitória ter ganho, no Bonfim, ao conjunto lisboeta por 1-0.

"Sou um jogador que gosta de arriscar, tenho boa técnica para poder complicar as jogadas, para fazer de forma mais bonita. Gosto de dar espetáculo de uma forma positiva e sei jogar em equipa", assim se define quem gosta de jogar "a médio ofensivo" - "tento organizar o jogo", sublinhou. Características que saltavam à vista em 2015, quando "a jovem promessa dos juniores que dava cartas na equipa B" estava já na mira de Rui Vitória.

"O principezinho de Castanheira de Pêra chegou ao Benfica para representar os infantis. Médio-ofensivo, com características típicas do velho 'número 10', é um centro-campista moderno, móvel e dinâmico que pode desempenhar funções de 8 ou de falso ala. Dotado de excelsa capacidade técnica, destaca-se pela criatividade, visão de jogo e qualidade no passe. Além disso, exibe elegância em condução, criando desequilíbrios no um contra um através do drible, e é um bom executante de lances de bola parada", escreveu o 'olheiro' Rui Malheiro no Record a 6 de dezembro.

Médio já foi chamado às seleções jovens
Jogador "à Benfica"

João Carvalho, internacional pelas camadas jovens, não esconde o desejo de chegar ao topo e assume quais os jogadores que lhe servem de inspiração para tal. Além de Iniesta, do Barcelona, está um ex-jogador do Benfica. "Identifico-me muito com o Pablo Aimar. Vejo vídeos dele e tento chegar ao seu nível", referiu em entrevista ao site das águias.

Facto é que, havendo uns tantos degraus até lá, o jovem médio sabe o que é preciso para ir fazendo o caminho. "Um jogador à Benfica tem de ter garra, uma vontade enorme de envergar a camisola que tem vestida sabendo que tem muita gente a apoiá-lo. Tem de dar tudo em campo. Acho que sou um jogador à Benfica", concluiu.

Autor: Sofia Lobato