Em casa dos pais de Pizzi, em Bragança, existe uma espécie de museu, um pequeno espaço onde estão concentrados os objetos relativos à carreira do médio. Medalhas, troféus, recortes de jornais, fotografias, há de tudo. Mas falta a bola do jogo em que marcou três golos no Dragão, pelo Paços de Ferreira, a 8 de maio de 2011, encontro que terminou empatado (3-3).

"É a única coisa que falta", conta o pai do camisola 21, num especial da BTV dedicado a Pizzi. "Não lhe quiseram dar a bola. Era a festa do título e ele estragou-a", explica, ainda, o familiar do internacional português, de 28 anos.

Os golos sempre acompanharam o médio. Num programa em que Pizzi é descrito como "um pai cinco estrelas", "amigo do seu amigo" e alguém que "nunca se envaidece", recorda-se o "miúdo franzino e pequenino, mas que nos pelados de Trás-os-Montes já tinha muito futebol nos pés e era capaz de marcar "vinte e tal golos num jogo e 11 noutro". "O Pizzi era a referência para as equipas adversárias", frisa o Fernando Fernandes.

Luís Miguel Afonso Fernandes é conhecido no futebol do futebol precisamente por esse instinto. "Quando era miúdo, jogava com os amigos com a camisola do Barcelona. "Que nem sequer tinha nome. O goelador do Barcelona na altura era Pizzi", relata o amigo João Luís Costa. Hoje, são poucos os que o tratam pelo nome próprio, é o casa da mulher, Maria Luís de Barros, assumida benfiquista. Até o irmão, Rui Fernandes, tem o seu número guardado no telemóvel como Pizzi.

Imagem de marca do 21 é a forma como festeja os golos, fazendo a continência. Uma homenagem ao grupo de amigos, conhecido como a tropa. Os amigos ficam sensibilizados por o craque não se esquecer deles. "A continência é uma homenagem a um grupo de pessoas que sempre esteve do lado dele. E convém frisar que os gostos clubísticos dessas pessoas não são todos os mesmos", adianta João Luís Costa.


Autor: Nuno Martins