O FC Porto, mesmo que à condição, regressou ao topo do campeonato e devolveu a pressão ao Sporting, que terá agora de prevenir-se quanto a eventuais abalos no Estoril. Perante os bracarenses, os dragões redimiram-se de três jogos e meio manchados pelo desacerto ofensivo e anularam o risco de espiral negativa numa fase crítica da temporada.

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O conjunto de Sérgio Conceição, sempre no fio da navalha no que toca à condição física dos elementos mais sobrecarregados, voltou a ser intenso e pressionante. Minimizadas as quebras de rendimento, foi mais fácil cumprir o plano de jogo, encontrar as soluções cirúrgicas para vincar a superioridade e, quando necessário, contrariar a reação do Sp. Braga e limitar os seus pontos fortes.

A dias do arranque do duelo pelo Jamor com o Sporting, bem como do embate da Champions frente ao Liverpool, são boas notícias que comprovam a existência de um novo fôlego nas hostes portistas. O dragão pleno de energia mostrou ser capaz de voar mais alto e causou vertigens para as quais os guerreiros não tiveram antídoto.

Abel Ferreira nunca se conformou, instigou sempre a sua equipa a discutir o resultado mesmo quando o marcador se desnivelou, mas faltou o tal golpe de asa capaz de elevar os níveis de eficácia.

Bombardeamento

Deixando no balneário a parcimónia de maus arranques recentes, o FC Porto pisou no acelerador mostrando ter a lição estudada. Os dragões evitaram o confronto direto com o corredor central do Sp. Braga e esventraram o seu flanco direito. Marega e Aboubakar deram os primeiros avisos a solicitações de Alex Telles, anunciando o recital de assistências que viria a seguir-se. O insuspeito Sérgio Oliveira foi o primeiro beneficiário do bombardeamento de cruzamentos do lateral brasileiro, marcando de cabeça num regresso à titularidade que se adivinhava e que, desta vez, pode ter mais continuidade do que em anteriores aparições.

Aboubakar e Herrera voltaram a ter cabeça para chegar primeiro à bola e ameaçar Matheus, mas, após um aviso de Paulinho, foi Raúl Silva a somar pontos na primeira batalha de laboratórios. Os bloqueios desenhados por Abel Ferreira deixaram Diego Reyes despistado e permitiram ao brasileiro empatar sem oposição. Só que o massacre a que o FC Porto submeteu Danilo (10 faltas sofridas), sufocando o meio-campo do Sp. Braga, deu uma expressão ao tal condicionamento da construção do adversário de que Sérgio Conceição tantas vezes fala em termos abstratos (só Herrera, Sérgio Oliveira e Marega cometeram 18 faltas...).

O cenário perfeito, porém, chegou com o regresso da competência na bola parada ofensiva que andava arredio nas últimas partidas. Vukcevic despistou-se e Reyes deu o troco redirecionando o canto teleguiado de Telles. Era a vez de Abel ir ao saco de truques.

José Sá(lvador)

Aparentemente, o FC Porto até voltou mais forte do que o Sp. Braga após o intervalo. Só que Danilo rompeu finalmente as amarras e deu um aviso a José Sá. O guardião azul e branco foi mesmo salvador volvidos alguns minutos, com uma intervenção extraordinária, encurtando o espaço e tirando a Paulinho um golo que voltaria a nivelar o marcador. Ficou claro que o modo gestão não seria suficiente para o FC Porto prevalecer mas, depois de Abel ter recorrido a André Horta para procurar o controlo do meio-campo, obrigando Sérgio a recorrer ao seu próprio Paulinho para reagir, repetiu-se o filme da etapa inicial. Brahimi inventou, Alex cruzou e Aboubakar concretizou o tal golo que vinha a escapar-lhe. O Sp. Braga voltou a testar Sá, recusou render-se e esse mérito maquilha o desaire.

ARBITRAGEM

Hugo Miguel (AF Lisboa) - 3

HOMEM DO JOGO

A mira telescópica de Alex Telles causa danos terríveis. Três bolas precisas a permitirem golos e com mais algumas ameaças


O resumo do FC Porto-Sp. Braga (3-1)

O resumo do FC Porto-Sp. Braga (3-1)


Autor: Vítor Pinto