Depois de uma primeira parte com dificuldades para criar em organização ofensiva no seu ataque posicional, Sérgio Conceição apostou tudo numa forte presença de jogadores azuis e brancos no último terço do terreno, em zonas de finalização, e apenas a ineficácia impediu o FC Porto de capitalizar o que o seu treinador idealizou.

O FC Porto entregou o corredor lateral esquerdo a Alex Telles e puxou Brahimi para ligar a construção com as zonas de criação, recebendo sempre em zonas interiores do terreno, para provocar desequilíbrios na estrutura adversária, enquanto que Soares, Aboubakar, posteriormente Waris, e Marega surgiram sempre a explorar a profundidade da última linha adversária [1].

A tentação por fazer a bola chegar rapidamente à área adversária, onde beneficiava de igualdade numérica, aumentou, e mesmo sem elaborar nas zonas de criação os seus ataques, o FC Porto provocou desconforto na defensiva adversária, pelo constante solicitar dos seus avançados, tão poderosos fisicamente [2].

Não foi, porém, suficiente o jogo mais rápido e de procura de mais contacto, tão condizente com as características dos seus jogadores mais adiantados para a equipa de Sérgio Conceição chegar ao golo.

Nos últimos minutos, o FC Porto optou por deixar o jogo partir no seu momento defensivo, retirando da sua organização sem bola os jogadores mais adiantados, na expectativa de, numa das subidas no terreno do Moreirense, uma possível recuperação de bola pudesse encontrar os seus jogadores da frente já no seu posicionamento ofensivo, e com mais espaço para resolver, beneficiando de os adversários estarem a recuperar posicionamentos na transição defensiva [3]. O engodo do jogo partido também não surtiu efeito e Sérgio Conceição, embora saia com a consciência de que tudo tentou dentro do que são as suas ideias, perdeu uma muito boa oportunidade para descolar na classificação.


Autor: Pedro Bouças