O relatório do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) à bancada do estádio da António Coimbra da Mota, palco do Estoril-FC Porto que foi interrompido na última segunda-feira, revela que a estrutura não está, nem nunca esteve em risco de colapsar.

De acordo com o parecer preliminar redigido pelo organismo, na sequência das vistorias efetuadas na terça-feira, e assinado pelo investigador-coordenador José Manuel Catarino, a área interior - onde foram registados os maiores danos - é "uma estrutura independente" da bancada.

"Os danos no interior da bancada, anteriores ao incidente, detetados nas visitas são de reduzida expressão, não indiciando que a segurança da estrutura da bancada estivesse comprometida", refere o relatório do LNEC, acrescentando: "No que se refere à estrutura da bancada, até à data, não foram detetadas evidências de comportamento estrutural anómalo."

A avaliação dos investigadores concluiu também que o incidente registado no dia 15, durante o jogo entre estorilistas e portistas, "resultou da perda de apoio da laje térrea" e que essa situação, associada aos relatos de um 'estrondo', levou à movimentação dos adeptos.

"A zona interior da bancada é utilizada para acessos, instalações sanitárias, bares, arrumos e postos de socorro. É constituída por uma laje, betonada, diretamente sobre o aterro (laje térrea) e contra os pilares, sem ligação estrutural. Nessa laje, apoiam-se as paredes divisórias interiores", lê-se no documento.

Contudo, o parecer deixou também várias recomendações de melhorias a efetuar no Estádio António Coimbra da Mota, nomeadamente a "demolição da laje térrea e a elaboração de um projeto de reabilitação dessa zona", garantindo que é ainda necessário "um melhor apuramento" das razões dos estragos identificados.

Carlos Carreiras, presidente da Câmara Municipal de Cascais, divulgou entretanto um comunicado sublinhando que irá tomar uma posição pública na próxima semana explicitando alguns pontos do documento do LNEC.

A realização da segunda parte do encontro foi marcada para as 18 horas de 21 de fevereiro. O Estoril chegou ao intervalo a vencer por 1-0.


Leia o comunicado na íntegra:

"A Câmara Municipal de Cascais acabou de receber, tal como previsto, o relatório preliminar do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) com a avaliação por nós solicitada, da bancada nova do Estádio António Coimbra da Mota.

Com a equipa de técnicos municipais, estudarei o relatório nas próximas horas. Juntamente com toda a informação urbanística que já compilámos, assim com o levantamento do desenvolvimento histórico do Estádio e de toda a zona envolvente, tomarei uma posição pública na próxima semana.

Sublinho, contudo, que o relatório preliminar dissipa todas dúvidas: a segurança da estrutura e dos adeptos nunca esteve em causa. Nem no jogo de 15 de janeiro, nem no passado. E isso, para nós é o essencial, nomeadamente quando refere:

Ponto 4 do documento: " A zona interior da bancada é utilizada para acessos, instalações sanitárias, bares, arrumos e postos de socorro. É constituída por uma laje, betonada, diretamente sobre o aterro (laje térrea) e contra os pilares, sem ligação estrutural. Nessa laje, apoiam-se as paredes divisórias interiores (de alvenaria de blocos). Esta zona interior é, assim, uma construção independente da estrutura da bancada.

Ou, no Ponto 6 do documento: "Já no que se refere à estrutura da bancada, até à data não foram detetadas evidências de comportamento estrutural anómalo, ie: nem nas visitas de inspeção realizadas ao local foram observados indícios de comportamento deficiente da estrutura; nem foi, até à data, fornecido ao LNEC nenhuma informação que indicie algum comportamento anómalo no passado".

A Câmara Municipal de Cascais, como autoridade máxima sobre a gestão do território, continuará junto do Estoril Praia a acompanhar todos os desenvolvimentos futuros sobre este caso, em colaboração do Laboratório Nacional de Engenharia Civil."

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