Em mais uma edição do 'Universo Porto da Bancada' adiada para quinta-feira, no Porto Canal, desta vez devido ao encontro da Liga dos Campeões em Liverpool, Francisco J. Marques partiu do caso E-toupeira para reforçar as suas denúncias e desferir ataques ao Benfica.

"Mais do que o futebol, este caso que agora se descobre põe em causa os alicerces do regime português. Violar o sistema informático da justiça, aceder a processos sob investigação, não públicos, em segredo de justiça, é uma violação terrível que coloca em causa o regime democrático. Não fico surpreendidocom isso. Há muito tempo que vimos a dizer que o Benfica criou um esquema para seu benefício que vai do controlo da comunicação social a diferentes estruturas desportivas, arbitragem e disciplina, e depois foi para a justiça desportiva também tentar. Há quanto tempo o Benfica, a troco de três reis de mel coado, de contrapartidas quase patéticas, aceita violar o sistema informático em que os juízes trabalham e metem acórdãos, em que a investigação trabalha. É de uma gravidade enorme", sublinhou.

"Temos de estar conscientes de uma coisa. Atualmente, o presidente do Benfica é arguido com suspeitas de corrupção no caso Lex. Um vice-presidente do Benfica é arguido com suspeitas de corrupção no caso Lex. O diretor do departamento jurídico também é arguido com suspeitas de corrupção. E o que mais haverá em relação às investigações dos emails, vouchers e jogos comprados. Não sei se haverá mais algumas, mas estas são públicas. Quando aqui dizíamos que se tratava do maior escândalo do futebol português, não estávamos a exagerar. É de facto o maior escândalo e até ultrapassa e muito o futebol. O caso Lex tem a ver com o sistema judicial e já surgiram notícias com pormenores pouco abonatórios sobre a conduta das pessoas envolvidas", alertou o diretor de comunicação dos azuis e brancos.

"O diretor jurídico Paulo Gonçalves, pelos vistos ferrenho adepto do FC Porto segundo algumas notícias, apesar de trabalhar no Benfica e ter um ódio visceral pelo FC Porto e as suas pessoas, subornava funcionários judiciais para ter acesso a informação. O primeiro acesso aconteceu uma semana depois de acontecer o caso dos emails, que parafraseando Rui Pedro Braz, defensor das posições indefensáveis do Benfica, era uma mão cheia de nada, mas que mesmo assim o Benfica começou logo a vasculhar indevidamente essa informação, podendo desta forma boicotá-la e adulterá-la. É um comportamento inaceitável. Não me lembro de uma situação tão grave como esta na justiça portugesa. Agora não há quem não perceba que vai haver mais coisas. Quantas vezes a Polícia Judiciária foi à Luz? Quantas vezes irá nos próximos tempos?", questionou-se Marques.

No seu entendimento, toda a envolvência mediática deste processo é negativa para o rival da Luz. "Isto é um carimbo terrível. A credibilidade do Benfica está ferida de morte. Os culpados são estas pessoas que representam o Benfica hoje em dia perante a negação de muita gente que não quer aceitar que têm este tipo de práticas. Mas têm. São coisas demasiado graves", acrescentou, sem baixar a intensidade discursiva: "Houve até uma tentativa de desligar Paulo Gonçalves do Benfica quando se trata de uma quadro relevante. Alguém é capaz de nomear um advogado do Benfica? Não. Quem toda a gente conhece é Paulo Gonçalves. A lei, ao contrário do que disseram alguns juristas nas televisões, prevê que a entidade seja constituída arguida. Estão a arrastar o nome do Benfica para a lama à custa de procurarem benefícios de todas as formas possíveis e imaginárias. Mas isto é uma forma fraudulenta de fazer o Benfica ganhar."

No desenvolvimento do seu raciocínio, Francisco J. Marques lamenta que esteja "em causa verdadeiramente a prática da justiça. Concordemos ou não com elas temos, de aceitar as decisões da justiça. Já dissemos que não concordamos com a decisão da Relação sobre a providência cautelar no caso dos emails, mas não andamos a tentar boicotá-la. Vamos reclamar e recorrer às entidades que a lei permite. É o comportamento de cidadãos que aceitar viver segundo os cânones da sociedade, depois há uma cambada de malfeitores que tudo julgam poder fazer e que tudo lhes é permitido, aproveitando o sentimento de impunidade deste Benfica de Vieira".


Autor: Vítor Pinto