Para explicar de uma vez a polémica do pagamento de uma fatura a 14 de fevereiro ao Estoril, marcou presença no Porto Canal o presidente do Conselho Fiscal do FC Porto, Paulo Nunes de Almeida.

"Há 10 anos que ocupo o cargo e nunca tive necessidade de referir questões internas. A gravidade das afirmações que criam um clima de suspeição e colocam em causa a dignidade do clube, obrigou-me a vir aqui a título excecional para explicar o que se passou. O FC Porto apresenta as contas com rigor, o futebol é altamente auditado", introduziu, antes de pormenorizar: "A 5 de setembro de 2017, o Estoril enviou uma fatura de 819 mil euros mais IVA referente aos três jogadores [Carlos Eduardo, Licá e Tozé] mas de acordo com princípios contabilísticos o FC Porto já tinha contabilizado esses gastos. Fica a dever apenas com base nessa fatura, dado que quando chega ao FC Porto há uma equipa que avalia os valores e chega à conclusão que débito era em excesso, e que o valor correto sem IVA era de 784 mil euros. Depois de comunicado ao Estoril, o clube aceita e em 26 de outubro emitiu nota de crédito. Nesse mesmo dia emitiu fatura definitiva e aceite pelo FC Porto, é um facto que está traduzido. O FC Porto paga esta fatura de duas formas, faz primeiro o pagamento a 7 de novembro do valor do IVA, 180 mil euros, para o Estoril regularizar esse imposto, e depois o FC Porto fica a dever 784 mil euros que são pagos a 14 de fevereiro porque a tesouraria permitiu que nessa data fossem feitos pagamentos de 3,929 milhões de euros, fruto de dinheiro que entrou da bilheteira e de verbas de contratos de televisão. Fizemos o pagamento de quase 4 milhões de euros pela mesma entidade bancária que tinha feito o pagamento do IVA, e tinha ser até final de março para poder ser realizada a inscrição nas competições europeias. Foi pago em duas prestações, dentro do que é permitido entre sociedades, pelo que não devem existir dúvidas sobre forma clara como foi feito o processo", sublinhou Nunes de Almeida.

Francisco J. Marques, por sua vez, voltou a negar qualquer reunião entre dirigentes de Estoril e FC Porto indiciadora de comportamentos questionáveis e revelou que foi enviada uma exposição, tanto para o DIAP como para a Liga, com 15 documentos que pormenorizaram todos os passos em torno do pagamento da polémica fatura. O diretor de comunicação dos azuis e brancos revelou ainda que, no tal fatídico dia 14 de fevereiro, os clubes e jogadores que também receberam verbas em atraso foram o América do México, Feirense, Corinthians, Watford, Gent, Alberto Bueno e Victor Garcia.


Autor: Rui Sousa