Chama-se Recreativo Caála o clube angolano que compra futebolistas estrangeiros e os empresta ao Sporting. E o seu presidente não é outro senão o empresário António Mosquito, associado a grandes interesses económicos, em Angola e em Portugal.

Um dos jogadores colocados no Sporting segundo esta via foi Bruno Paulista. O Bahia cedeu o médio brasileiro aos leões até 30 de junho de 2016, a troco apenas do pagamento dos salários, mas posteriormente este deve ser contratado a título definitivo pelo Caála.


Record teve acesso a esta informação através do site ‘Football Leaks’, que a partir de agora se propõe “divulgar a face oculta do futebol”, publicando na Internet contratos e acordos com clubes e intermediários.

Contactado o Sporting, fonte do clube sublinhou que este negócio resulta de “relações normais com um parceiro formal, devidamente documentadas no relatório e contas. É um modelo de financiamento também utilizado pelo Benfica, quando contratou o Samaris. E os jogadores tanto podem ser colocados no Sporting como em qualquer outro clube”.

Uma forma de acordo similar deveria ter sido aplicada na transferência do argentino Franco Cervi para Alvalade, mas os dirigentes do Rosario Central não aceitaram a negociação e o futebolista acabou contratado pelo Benfica.

Formalizado em 6 de agosto de 2015, o “Instrumento Particular de Cessão Temporária de Contrato de Trabalho de Atleta Profissional” entre o Bahia, o Sporting, Bruno Paulista e o Recreativo Caála, a SAD leonina celebrou no mesmo dia o “Contrato de Trabalho Desportivo” com o jogador brasileiro, no qual acordou pagar 550 mil euros por um ano de empréstimo.


O contrato de Bruno Paulista prevê ainda o pagamento de um prémio de dez mil euros, por cada dez jogos feitos, no caso de ser titular e completar pelo menos 55 minutos em cada um dos jogos, na Liga ou nas competições europeias.    

A situação de Cervi


No caso do argentino Cervi chegaram a ser redigidas duas minutas, uma que previa a cessão dos direitos federativos ao Recreativo Caála pelo Rosario Central, a partir de 28 de janeiro de 2016, mas que previa que o futebolista treinasse no Sporting a partir de dezembro de 2015. A outra respeitava a um contrato de cedência temporária, entre o Caála e o Sporting, até 30 de junho de 2017, com a hipótese de prorrogar esse empréstimo “por épocas sucessivas”, até 30 de junho de 2021. Este contrato seria feito “a título gratuito”, na prática, nas condições em que Bruno Paulista está agora no Sporting.


Cervi só viria em junho de 2016

O ‘Football Leaks’ divulgou também a proposta final efetiva do Sporting aos argentinos do Rosario Central para a transferência de Franco Cervi, para além do cenário que envolvia os angolanos do Recreativo Caála.


Um documento assinado pelo administrador da Sporting-SAD Carlos Vieira, em 7 de setembro de 2015, propunha aos argentinos a aquisição dos direitos económicos do futebolista por 3,85 milhões de euros. E as condições de pagamento seriam as seguintes: 1,925 milhões liquidados de imediato; 962.500 euros em 1 de fevereiro de 2016; e mais 962.500 euros em 1 de julho de 2016.

Este plano seria aplicado se Cervi chegasse ao Sporting no fim da época 2015/16, mas caso se transferisse de imediato, o pagamento seria feito a pronto.

Agente de Cervi receberia a prestações

O acordo do Sporting com o Rosario Central, Franco Cervi e o seu agente, Martin Moreno, estava em andamento, mas, segundo publicou Record, em 9 de setembro, Raúl Broglia, presidente do clube, revelou entraves importantes: “Houve questões, mas não vale a pena revelá-las agora. Eles tinham, por exemplo, um grupo de investidores de um país a que não estamos habituados”, que seria Angola...


Na altura, num documento assinado pelo administrador da SAD Guilherme Pinheiro, o Sporting propunha deixar Cervi emprestado ao clube de origem, em 2015/16, e nas seis épocas seguintes pagar-lhe-ia sucessivamente 820 mil euros, 920 mil euros, 1,02 milhões, 1,12 milhões, 1,22 milhões e, finalmente, 1,32 milhões.

O Sporting comprometia-se também a pagar ao jogador os 15% que seriam responsabilidade do Rosario Central. O plano previa ainda o pagamento faseado da comissão ao intermediário Martin Moreno, conforme se pode ver no documento em anexo. No total seriam 517,5 mil euros. Mas o jogador acabaria no Benfica.