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Carta aberta de António Paulo Santos

• Foto: Raquel Wise

Em primeiro lugar gostaria de esclarecer todos os sportinguistas sobre as razões que me levaram a escrever esta missiva num órgão de comunicação social. Com efeito, só o faço por recear que na assembleia geral do próximo sábado, 17 de fevereiro, não venha a ser possível realizar um debate assente em ideias livres expressas de forma livre e sem qualquer tipo de espartilho ou constrangimento que possa pôr em causa a liberdade de expressão de todos.

Mais: é importante referir que esta conclusão não acarreta em si uma crítica à assembleia geral do clube. Contudo, as clivagens agora existentes, motivadas por discursos exacerbados e pouco conciliatórios, criaram um iniludível clima, infelizmente propício a comportamentos menos adequados em dissonância com o espaço de reflexão e discussão séria como deveria ser a assembleia geral de qualquer instituição e deste clube.

Tendo ainda em conta a forma como, ao longo destes anos, o presidente do Sporting Clube de Portugal, Bruno de Carvalho, partilhou as suas ideias e acusações, muito para além da comunidade leonina (estendendo-as mesmo a todo o país), quantas vezes servindo os interesses dos clubes rivais em questões que deveriam ser do foro interno do Sporting Clube de Portugal mas que, por via dessa permanente exposição mediática, se tornaram demasiado públicos e, não poucas vezes, demasiado confrangedores e alvo da chacota dos nossos rivais, acresce assim que me sinto legitimado a fazê-lo igualmente por este meio.

Como sócio deste grande clube, quero deixar a todos vós algumas reflexões que me parecem importantes para o futuro do nosso querido Sporting Clube de Portugal.

Começo por perguntar a todos vós se, do ponto de vista societário, é normal um responsável máximo de uma organização falar aos seus acionistas e/ou sócios da forma como o nosso presidente o tem vindo a fazer nestes últimos tempos, o que não deixa de ser ainda mais curioso quando somos todos nós, associados devotos e cumpridores do Sporting Clube de Portugal, quem lhe paga o salário para o adequado desempenho da sua missão. Será que os deveres de urbanidade e respeito a que estão obrigados os gestores das sociedades comerciais não é extensivo aos clubes desportivos?

É no âmbito da minha atividade profissional, e como advogado responsável, que nos últimos tempos fiz uma intervenção mediática com vista a suscitar por parte dos corpos sociais do Sporting Clube de Portugal uma reflexão relativa à forma como se devem proteger os direitos televisivos vendidos aos canais desportivos de acesso condicionado, pois as receitas provenientes da venda destes direitos são demasiado importantes para que não haja uma postura proativa dos clubes na defesa e proteção dos mesmos. Nesta mesma intervenção, sem qualquer intenção de criar polémica, afirmei que não me revia numa parte do discurso público do nosso presidente, tendo também afirmado ter votado nele no último ato eleitoral. Para minha surpresa, no dia em que o artigo foi tornado público, para além de ter sido qualificado de "azeado", coisa que não sou, fui ‘carinhosamente’ apelidado de uma série de nomes que, por uma questão de educação e sentido ético, me escuso de repetir. Mas não seria mais importante, em vez de reagir a qualquer crítica da forma como tem feito, fazer um juízo de autocrítica e tirar desse mesmo juízo ilações para um Sporting mais ético e mais coeso?

A este propósito, não posso deixar de referir que reina hoje a forte convicção de que as organizações, tal como a sociedade, necessitam de um debate de ideias e propostas discutidas livremente, sem que coloquem em causa, obviamente, o rumo traçado no plano de atividades dos órgãos sociais eleitos.

Será que isto põe em causa o desenvolvimento de um mandato? Sinceramente parece-me que não, até porque qualquer oposição que exista, se é que existe neste momento, não tem massa crítica para pôr em causa o normal funcionamento dos órgãos sociais do clube – a não ser que se esteja a tentar encontrar um bode expiatório para algum eventual desaire em termos desportivos.

Nesta esteira, aproveito para agradecer e reconhecer o bom trabalho desenvolvido por este Conselho Diretivo quanto à forma como conseguiu devolver ao Sporting Clube de Portugal um espaço que é seu por direito próprio nas atividades desportivas ditas amadoras. Não menos importante foi o aumento do nível de competitividade da equipa profissional de futebol com um treinador de inquestionável valia que nos recolocou no mapa da discussão dos títulos. Contudo, para nós, sportinguistas, infelizmente ao cabo de cinco anos de gestão do clube pelo nosso presidente ainda não conseguimos ser campeões nacionais. Por isso penso que devemos todos refletir sobre se nos limitaremos a satisfazer a ideia de um mito ou se, ao invés, iremos todos, em conjunto e sem fraturas, arregaçar as mangas para devolver ao nosso clube a grandeza e a dimensão que continuam por atingir.

Ora, por tudo isto, e porque não vejo necessidade de uma maior concentração de poderes nos atuais órgãos sociais, apesar de muitas das alterações estatutárias propostas serem positivas, não me parece, por desnecessário, a criação de um regulamento disciplinar aparentemente virado contra aqueles que tenham a veleidade de discordar por razões técnicas e/ou éticas dos órgãos sociais. A este propósito, mais uma vez suscita-me dizer que ainda antes de Portugal ser um país democrático, já o Sporting o era por força dos seus estatutos e ‘governance’.

Por tudo isto espero poder debater estas questões na próxima AG de 17 de fevereiro livremente e sem constrangimentos.

Saudações Leoninas

António Paulo Santos

Sócio 39.919

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