"O Benfica beneficia - ou beneficiou - da complacência e da proteção de um instituto público durante vários meses". A acusação, feita esta segunda-feira por Nuno Saraiva na Sporting TV, tem como base um processo que envolve as águias e o Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ).

O diretor de comunicação do Sporting acusou Vítor Pataco, membro do Conselho Diretivo do IPDJ, de "ter deixado na gaveta durante vários meses um processo contra-ordenacional contra o Benfica". Em causa estará um processo que dará como provado o apoio do Benfica às suas claques, apesar de as mesmas não estarem legalizadas. 

"Trata-se de um acórdão do IPDJ. Estamos a falar de um processo que data de 10 de outubro de 2016. Basicamente, diz o instrutor deste acórdão nesta proposta de punição para o Benfica são dados como provados factos que apontam para a concessão de apoios aos grupos de adeptos não-organizados do Benfica – chamemos-lhes assim porque não estão legalizados… São as claques do Benfica, nomeadamente os Diabos Vermelhos e os No Name Boys", argumentou Nuno Saraiva. 

"No parecer emitido, o responsável pelos serviços, João Rosa, diz que este acórdão, para ser despachado e para que o Benfica seja notificado da decisão que foi tomada, uma condenação, estava à espera, nesta altura, há cerca de três meses, desde agosto de 2016, que fosse assinado pelo membro do Conselho Directivo do IPDJ, o vice-presidente que tem a competência para validar esta decisão. Ora, esse vice-presidente chama-se Vítor Pataco", denuncia Nuno Saraiva.

«Passado profissional ligado ao Benfica»

"Vítor Pataco é certamente alguém com competência para desempenhar estas funções, nomeado pelo governo em 1 junho de 2016. No entanto, este comportamento de deixar o acórdão na gaveta durante vários meses – não sabemos se o Benfica já foi notificado desta decisão e se esta sentença já foi executada. No currículo deste senhor Vítor Pataco consta, por exemplo, que entre 2002 e 2003 foi director geral da Sport Lisboa e Benfica, Multimédia, S.A. Tem um passado profissional ligado ao Benfica, é sócio do Benfica", alega.

"Mandaria o bom-senso que este senhor, que tem esta ligação clubística, não deixasse estes processos na gaveta.  Ora, este processo resulta do levantamento de 19 autos de noticia da PSP relativamente ao comportamento das claques e ao apoio manifesto do Benfica aos seus grupos, às suas claques não-legalizadas. Da leitura destes documentos, é óbvio o que se passa. E nem os responsáveis do Benfica, ouvidos em sede de inquérito, deixaram de confirmar aquilo que aqui está e que é a realidade", continua Nuno Saraiva.

O diretor de comunicação do Sporting elencou exemplos constantes neste processo, assegurando que, através destes, "ficou comprovado o apoio logístico que é prestado pelo Benfica às suas claques não-legalizadas".

"Trata-se de um exemplo da violação clara da lei, segundo a qual as claques não-legalizadas não podem beneficiar de qualquer tipo de apoio, seja ele logístico, financeiro, de bilhética, seja o que for. Aquilo que este processo revela é que o Benfica beneficia ou beneficiou de complacência de um instituto público, da protecção de um instituto publico durante vários meses. Porquê? Porque esta sentença, onde são dado como provados os factos que apontam para a existência desse apoio à margem da lei, não foi aplicada durante vários meses. Foram ouvidas diversas testemunhas, entre elas os agentes da PSP que levantaram os autos e não tiveram dúvidas do que estavam a ver", conclui.

Autor: António Adão Farias