O ex-candidato à presidência do Sporting João Pedro Paiva dos Santos assumiu-se como uma voz crítica do presidente do clube, Bruno de Carvalho, a quem acusa de "ter ficado com os louros de uma reestruturação financeira que já existia".

"A reestruturação financeira não é mérito de Bruno de Carvalho, mas de uma equipa liderada por Guilherme Pinheiro, da KPMG (empresa de consultoria e auditoria), que a estava a preparar a convite de Godinho Lopes [ex-presidente] e que agora passou a administrador da SAD com Bruno de Carvalho", disse à agência Lusa João Pedro Paiva dos Santos, para quem o atual presidente "não tinha necessidade de ficar com os louros da reestruturação financeira".

O facto de Guilherme Pinheiro, que é uma pessoa "competente e credível", ter passado a administrador da SAD de Bruno de Carvalho, leva-o a questionar se isso não aconteceu para "dar garantias aos credores, de que o trabalho que está a ser feito e que será de acordo com o plano de reestruturação financeira".

Contesta a versão de Bruno de Carvalho, segundo a qual Godinho Lopes não tinha qualquer reestruturação financeira em curso, apenas uns papéis dispersos e não um plano devidamente estruturado: "O atual presidente teve a inteligência de dar continuidade ao projeto, mas não tinha necessidade de chamar a si, em exclusivo, os louros do mesmo".

Paiva dos Santos avança mesmo com a ideia de que a reestruturação financeira, que a atual direção "não queria aceitar porque tinha outras ideias e foi forçada a fazê-lo", foi fechada "muito antes da Assembleia Geral de 30 de junho" último e que poderia ter sido "aprovada muito antes desta data".

"Como é que alguém, três meses depois de assumir funções, sem ter, pelo que diz, nenhuma informação, a não ser uns meros papéis, pode perceber a realidade do clube, preparar um plano de reestruturação financeira e negociar com a Banca, por melhor gestor que seja?", questionou Paiva dos Santos.

O empresário reconhece as coisas positivas que Bruno de Carvalho já fez, designadamente a "aposta na formação, no treinador Leonardo Jardim e, em particular, da forma como tem sabido gerir o silêncio", ao não permitir a "interferência de outras pessoas" nas decisões na área do futebol.

Não obstante, alega que todos os cortes nos custos que têm sido aplicados e a saída de funcionários e de colaboradores, alguns dos quais auferiam salários elevados, tinham sido "delineados pela KPMG, no âmbito do plano de reestruturação financeira, e estavam previstos ser aplicados pela Direção de Godinho Lopes", caso tivesse cumprido o mandato até ao fim.