O antigo dirigente leonino, Paulo Abreu, está envergonhado com a atual situação do Sporting e não tem dúvidas de que a única solução "é a demissão imediata de Bruno de Carvalho". O que levou o clube de Alvalade a chegar a esta situação é algo que é analisado por um homem que já esteve intimamente ligado ao futebol verde e branco.

"Penso que o Sporting atingiu uma situação insustentável e que ontem teve o seu clímax no dia mais negro da sua história centenária. Isto dado ao desenvolvimento de uma situação que veio a sofrer por esta instabilidade no seio da sua área do futebol. É inaceitável que não tenha havido o bom senso de travar todo este clima, de toda esta instabilidade, que só se percebe devido à inexperiência de quem lidera".

A solução para os problemas do clube é vista, neste momento, como muito difícil, mas Paulo Abreu só vê uma via possível. "Demissão imediata de Bruno de Carvalho e de toda a administração da SAD. Depois, a feitura de uma comissão de gestão, com várias personalidades que estejam disponíveis para assegurar a gestão. Depois criar eleições para que o futuro presidente possa tomar posse".

O alegado esquema de corrupção de que o Sporting é acusado, através da ação de André Geraldes, é tema ao qual Paulo Abreu prefere não tecer grandes comentários. Aguarda pelo esclarecimento cabal da situação e não quer acreditar numa situação ainda mais negra para o clube. "Tenho alguma dificuldade em fazer grandes comentários. Primeiro porque penso que é cedo e claro que espero que estas notícias não correspondem à verdade, pois só iriam enlutar ainda mais o sofrimento em que a família sportinguista já envolvida".

O que levou o Sporting a chegar a esta situação e o facto de Bruno de carvalho continuar à frente dos destinos leoninos é visto como algo "extremamente grave" mas que se deve à perda de noção da realidade do atual líder. "Há uma coisa extremamente grave. Tudo se precipitou após a reeleição, onde a esmagadora maioria das pessoas votou em Bruno de carvalho pensando numa proposta e variáveis que já não se verificam. A dinâmica no futebol, o facto de termos Jorge Jesus e o parecer que estava criada uma nova forma de estar no futebol, com o Sporting mais próximo dos dois rivais. Mas tudo se alterou e a instituição Sporting foi muito maltratada".

A explicação de Paulo Abreu prende-se com "os factos que se deram nos últimos meses", em que BdC é acusado "de uma degradação meteórica das relações". "Há uma falta de noção total na liderança. Os jogadores não são meninos mimados. São ativos valiosíssimos e por isso mesmo são tratados por todos os clubes de forma diferente. Isto sejam treinadores, sejam jogadores. Quando não se percebe isto e se envereda por um clima público de confrontação, então já se foi longe demais", diz.

O jogo em Madrid e o que se seguiu é apontado por Paulo Abreu como o princípio do fim. "Após Madrid Bruno de carvalho devia ter tido a humildade de recuar. Mas não. Já tinha havido os sportingados, a chantagem total para a aprovação dos novos estatutos, sem interesse nenhum. Foi tudo isto que culminou no dia de ontem".

A crítica ao facto de o presidente sportinguista não ter estado na Madeira é algo que também atormenta Paulo Abreu. "Não consigo perceber que se o dinheiro é tão importante, se o Sporting perdeu cerca de 25 milhões e acabou por dar mais de 40 ao rival, como é que o presidente foi ao Norte ver Futsal e hóquei em patins".

A escalada de acontecimentos e a violência em Alcochete são vistos como algo "instigado por tudo o que se passou". No entender de Paulo Abreu, o "maior responsável deve ter humildade de pensar no que se passou". "Foi ele que despoletou tudo. Não há condições para Bruno de Carvalho continuar. Os ativos podem encontrar aqui justificação para sair do clube. É de uma gravidade imensa".

Autor: Bernardo Ribeiro