Ricardinho e Pedro Cary, capitães da Seleção Nacional, fizeram esta sexta-feira a antevisão da final de sábado com a Espanha. Ambos mostraram confiança na vitória, mas salientaram o respeito por um adversário poderoso. O primeiro a falar foi Ricardinho, que recordou a final de há oito anos.

Final de 2010

"Hoje só penso naquele troféu que já vi Portugal tão perto de conquistar em 2010, pela televisão, os meus companheiros fizeram um excelente trabalho. E agora estou aqui eu com esta oportunidade fantástica. Sendo a cara, não sou a Seleção. Vamos mandando uma mensagem a toda a gente que dizia que Portugal é só Ricardinho. Se já era orgulhoso dos meus companheiros, fiquei ainda mais. Portugal é Portugal, não é Ricardinho. Estou com muita vontade de jogar este duelo ibérico, vai ser um jogo fantástico. Com uma seleção que para mim é a melhor do Mundo, mesmo não tendo ganho o último mundial. Com jogadores que jogam na melhor liga do Mundo, que estão habituados a estes jogos, mas que vão levar com um Portugal no seu melhor momento, com muita ambição, muita vontade e bem preparado".

Sentimento especial de haver essa reedição?

"Não fui a esse Europeu porque não quis. Estaria recuperado para a final, Orlando Duarte propos-me acompanhar a Seleção para jogar a final, ele acreditava muito que podíamos jogar essa final, mas eu sentia que podia não estar nas melhores condições. Fizeram um excelente trabalho, infelizmente não conseguiram vencer e eu fiquei com aquela mágoa.

Isso já passou mas foi uma lição. Vamos viver isso de novo e temos a oportunidade de escrever a nossa história nesse livro bonito do futsal e poder um dia mais tarde dizer aos nossos filhos ‘aquele grupo de amigos juntou-se em Rio Maior e conseguiu fazer história’."

Seleção 100 por cento vencedora

"As pessoas olham para nós a ver que temos capacidade para conseguir algo bonito. Fomos a única seleção que ganhou todos os jogos, sempre melhorando as nossas prestações. Se calhar nem sempre com o brilho que queremos, mas os resultados acompanharam o que eram os nossos objetivos. Temos o peso bonito de ter 11 milhões às costas, mas também a apoiar-nos.

Havia muitos olhares desconfiados no início desta competição, mas fomos sempre dando uma boa resposta, acreditando no nosso trabalho. Todo o staff técnico fez um trabalho excelente. Conseguimos o nosso principal objetivo, que era estar na final. Mas o nosso sonho ainda está por concretizar e nós queremos realizá-lo."

Favoritismo

"É uma final. A Espanha para mim é a melhor seleção do Mundo, mas não vai jogar sozinha. Vai jogar contra um Portugal com muita ambição, muito caráter, que se vai preparar muito bem. Vamos tentar repetir a vitória que conseguimos em 2005 em Espanha e levar esse troféu para Portugal."

Reencontro com colegas

"É especial porque tenho muitos companheiros do meu clube, segundo porque é um duelo ibérico e penso que é a primeira vez que não há nenhum brasileiro na final de um Europeu. Portugal está muito bem, temos um coletivo muito forte, os mais jovens deram um passo em frente, os experientes continuam com a mesma qualidade. Os guarda-redes têm sido fundamentais, os três, com uma união incrível, sabem que nesta Seleção não há titulares. Na final ainda não sabemos quem vai jogar, mas o que é certo é que sabemos que quem entrar vai estar bem.

Estamos a acreditar muito. Acreditamos no nosso potencial, respeitando e sendo humildes, pois sabemos quem teremos pela frente. Mas queremos muito jogar esta final com os melhores".


Também Pedro Cary se focou na palavra ambição, lembrando que muito mudou desde 2010.

"Com toda a ambição possível, disponível. Portugal hoje é um Portugal com qualidade mas ciente das suas capacidades e responsabilidades. Uma final ibérica, frente a um adversário com muita qualidade, habituado a estar nestes palcos e a vencer. Portugal infelizmente não tanto. Temos visto um Portugal competente. Ninguém pensa em 2010, o grupo é totalmente diferente, temos quatro jogadores que lá estiveram, mas são ambientes diferentes. Uma equipa mais madura, mas com muita juventude, a dar boa conta do recado. Um Portugal ciente das suas responsabilidade e extremamente competente.

Espanha mete medo?

"Medo não, nunca! Aqui há ambição e responsabilidade. Sabemos que é o principal palco nas seleções a nível europeu, com muitos não tão habituados, mas longe de um Portugal com medo."

Quer maior respeito

"Um amigo meu uma vez disse-me [e olha para Ricardinho] 'Portugal irá ser 100 por cento respeitado e os seus jogadores também quando ganhar um título'. Merecemos esse respeito, mas esse respeito vai-se respeitando. Um título faz com que esse respeito seja ainda melhor. Temo-lo conquistado sem títulos, mas queremos o título. Já o sentimos, é fruto do nosso trabalho e só tem de nos dar prazer e ambição de querer mais."

Sobre Ricardinho

"O Ricardo dispensa comentários. Todos estamos cientes que é o melhor do Mundo. Para onde ele for, nós vamos. É o melhor, o mais capacitado do Mundo. O que pretendemos e o que lhe daremos a ele e à Seleção é trabalho árduo, máxima responsabilidade. Acima de tudo é seguir o líder, e o líder tem sido o Ricardo. A nossa Seleção é mais do que isso. Extremamente competitiva a todos os níveis. Felizardos por tê-lo".

Foi campeão do Mundo Universitário na Eslovénia em 2008

"A medalha de ouro precisa de uma irmã gémea e tudo o faremos, com o apoio que temos tido, para a levar ao peito."

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Seleção de futsal preparou final com balões à mistura

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Autor: Cláudia Marques