O treinador adjunto da seleção portuguesa, Ilídio Vale, considerou "errado" que a FIFA não reconheça os Jogos Olímpicos, mas mostrou-se confiante num bom resultado de Portugal na competição, apesar da ausência dos "melhores jogadores".

"Não me custa a perceber [que os clubes não autorizem os jogadores a ir aos Jogos]. É muito claro. Está errado, porque a FIFA não reconhece os Jogos Olímpicos como uma competição oficial das datas FIFA. A partir daí é preciso compreender as opções dos clubes", referiu esta quinta-feira o treinador à margem de uma sessão de homenagem que decorreu na Maia, distrito do Porto.

Portugal garantiu o apuramento para os Jogos Olímpicos Rio'2016 depois de atingir a final do Europeu de sub-21, mas o treinador Rui Jorge apenas conseguiu chamar sete dos 23 vice-campeões, tendo assumido que para chamar 18 jogadores teve de fazer 57 telefonemas.

Ilídio Vale vincou ter convicção de que "Portugal pode não apresentar os seus melhores jogadores", mas "Rui Jorge e a sua equipa tudo vão fazer para garantir uns Jogos Olímpicos com grande dignidade".

"Vão conseguir um bom resultado", apontou o adjunto de Fernando Santos, que, sobre o futuro, e ao comentar a renovação de contrato esta quinta-feira oficializada com a Federação Portuguesa de Futebol, resumiu o Mundial, a Taça das Confederações e o Europeu de 2020 como "projetos diversificados", com o "mesmo espírito" e "uma única opção: ganhar".

O treinador falava numa sessão organizada pela câmara da Maia que homenageou o treinador adjunto, bem como o médico assistente da seleção portuguesa, José Carlos Noronha.

Em causa a conquista do título de campeões europeus na prova que se disputou em França e as ligações de ambos ao concelho maiato, ao qual também estão ligados, disse o presidente da câmara da Maia, Bragança Fernandes, o defesa Pepe e o médio João Mário.

Ilídio Vale apontou que a conquista do Europeu "foi uma experiência nova para toda a gente", considerando que esta "marca a história do país e uma mudança de paradigma".

"Fomos capazes de ultrapassar a barreira do 'quase' e capazes de vencer. A mensagem que se fez passar, nomeadamente na voz do selecionador, é de que viríamos só no dia 11 e interpretaram isso como um estímulo e como uma brincadeira, mas para nós não era. Era muito sério. Tínhamos a forte convicção de que poderíamos vir embora só no dia 11 e em festa", descreveu.

Já José Carlos Noronha lembrou que vive com os jogadores maioritariamente "situações de doença", mostrando-se muito "feliz" por ter vivido "em festa" e vincando como segredo para a caminhada portuguesa "a união do grupo".

"Foi uma humilhação para a França jogar sem ter o Ronaldo pela frente durante 95 minutos. Se o Ronaldo estivesse em campo e metesse dois ou três golos, a França tinha uma desculpa e assim não tem", disse José Carlos Noronha.

Questionado sobre a lesão do capitão português, o médico de Portugal foi cauteloso: "Ficámos muito tristes quando ele saiu e ficaremos muito felizes quando ele regressar. Não me devo pronunciar sobre o grau de lesão, nem tempo de paragem."

Nesta cerimónia, Bragança Fernandes ainda confessou que gostava que a Maia tivesse um clube na I Liga e agradeceu a toda a equipa portuguesa pela "felicidade que deu aos maiatos e a Portugal".

"Vocês são uns ídolos. A Maia sentiu muito esta vitória", disse o autarca.

Autor: Lusa