Permitam-nos batizar esta Seleção Nacional sub-17 como ‘Os Incríveis’. É que os jovens craques, ‘culpados’ de uma enorme esperança no futuro do futebol português, arrebataram o título europeu em grande estilo. Foi preciso sofrer – e de que maneira… - mas a boa réplica de Espanha desabou nos penáltis, um cenário que tantas vezes tem traído as intenções lusas. Desta feita, os cinco eleitos de Hélio Sousa para as grandes penalidades mostraram nervos de aço e… a trave deu o ‘empurrão’ final para a festa, ao devolver a cobrança decisiva de Morlanes.

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Na verdade, a roja até entrou decidida em vingar a final de 2003, quando Portugal venceu esta mesma prova em Viseu (2-1). Mboula e Brahim Díaz tentavam deixar a cabeça dos defesas lusos em água mas oportunidades… nem vê-las. Autoritários como em toda a prova, as promessas portuguesas começaram a dominar e um lance de génio de Domingos Quina, aos 23’, só não deu golo porque a trave quis ser protagonista. Portugal ameaçou e, quatro minutos depois, Diogo Dalot apareceu que nem uma flecha a concluir após cruzamento de Rúben Vinagre. De lateral para lateral, estava desbloqueado o ativo.

O problema veio pouco depois, com a reação da roja, que ansiava mostrar valor. Morlanes cruzou após um canto, Brandariz cabeceou e, perante alguma desorientação de Diogo Costa, Brahim Díaz finalizou. Dalot esticou-se, mas não foi suficiente. O registo limpo de golos sofridos terminava ao cabo de 432 minutos.

Só um quis ganhar

Que nem fotocópia da 1ª parte, os espanhóis reentraram atrevidos. Mboula ameaçou, mas essa ambição durou pouco. O meio-campo português tomou conta das incidências, mas a eficácia demonstrada ao longo de toda a prova não aparecia. Enquanto João Filipe tentava animar a partida, Quina ameaçou com dois remates, antes de José Gomes falhar a melhor oportunidade (72’). Pelo meio, Brahim dava calafrios, mas Diogo Costa nem tinha de fazer defesas.

Chegado o desempate que de lotaria tem muito pouco – e o selecionador espanhol trocou... de guarda-redes nos descontos –, os craques portugueses não vacilaram e o referido Morlanes atirou à trave. Já lá vão seis finais (1989, 1995, 1996, 2000, 2003 e 2016) no escalão sempre a festejar. Caro leitor, o futuro parece… incrível.

Autor: Pedro Gonçalo Pinto