Há pouco mais de seis anos, Sérgio Conceição despediu-se dos relvados em Taveiro (Coimbra), no estádio com o seu nome. Na despedida ficou para a história o 3-3 no marcador, num jogo recheado de craques. Curiosamente, o marcador do 3-3 final foi o mesmo que fechou as contas no Portugal-Malta de ontem, em sub-17: Rodrigo Conceição.
Um dos quatro filhos de Sérgio Conceição recorda-se bem desse dia 23 de maio de 2010. "Este foi o meu primeiro jogo oficial, mas já tinha jogado e até marcado no estádio do meu pai. No jogo da despedida, eu e os meus irmãos entrámos para dar uns toques na bola e eu marquei o 3-3", recorda.

O jovem extremo foi dos mais ativos na vitória de ontem. Fez a assistência para o 1-0, de Daniel Simões, e apontou, já nos descontos, o 5-0 final, ao converter um penálti conquistado pelo próprio. "Marcar este golo significou muito para mim. Foi um orgulho enorme porque tinha aqui a família do lado do meu pai", afirma a Record, visivelmente emocionado. Na bancada estavam "os tios da parte do pai, três irmãos, a mãe, os avós...", confessa.

O apelido Conceição "pesa sempre" na camisola, mas o jogador do Benfica não quer viver à sombra do pai. "Ele fez o caminho dele e eu quero fazer o meu. O nome pesa sempre, porque chegou ao mais alto nível internacional, mas quero fazer ainda melhor do que ele. Vou trabalhar para isso e quero fazer a minha história."

Tal como o pai, Rodrigo é extremo, mas gosta de marcar golos. "Quero continuar a ajudar a Seleção a chegar ao Europeu e fazer o melhor possível", sublinha.

"Procuro não interferir", garante Sérgio

Sérgio Conceição é pai de cinco filhos e todos jogam futebol "menos o pequenino, que só joga em casa". Contudo, até para a antiga estrela, de 41 anos, foi comovente ver um dos herdeiros a marcar com a camisola da Seleção no estádio com o seu nome. "Há 20 anos nem nos meus melhores sonhos imaginaria isto. É claro que é um orgulho enorme", admite a Record. Para o técnico "é mais uma etapa na evolução dele, mas há um trajeto a percorrer". "Quero é que se formem como homens e eles veem-me como o chato que quer que estudem e que sejam bem-educados. Quanto à carreira desportiva, tento acompanhar a paixão deles, mas os clubes são cada vez melhores na formação", refere.


Autor: Bruno Gonçalves