Record

Assinatura Digital Premium Saiba mais

Dez anos perdidos atrás da classe certa

mário trindade só agora foi colocado em t52

Dez anos perdidos atrás da classe certa
Dez anos perdidos atrás da classe certa • Foto: nuno andré ferreira

Praticou ciclismo, jogou basquetebol em cadeira de rodas – foi à Seleção e ganhou campeonatos e taças –, mas foi quando chegou ao atletismo, sua paixão de sempre, que percebeu ser ali o seu mundo.

Só que Mário Trindade não imaginava o calvário em que ia entrar por causa de classificações mal feitas. "Classificaram-me por telefone na T54. Fiz uma prova e vi logo que estava na classe errada. Os outros concorrentes só não mexiam as pernas, mas eram bastante encorpados. Então pedi para me passarem para T53. Estive um ano e meio à espera e lá consegui. Mas também vi que ainda não era aquela a minha classe. Liguei para todas as entidades e nem me respondiam", recorda.

Chega 2013 e Portugal não tinha ninguém para levar aos Jogos Mundiais, na Holanda."Ofereci-me para ir, às minhas custas. Quando cheguei lá, os classificadores nem tiveram dúvidas e colocaram-me em T52.Disseram-me mesmo que, dado o meu estado, nem deveria demorar muito a chegar ao T51", conta, acrescentando:"Foram dez anos e centenas de euros que perdi nesta luta", conclui.

Vieram então os bons resultados e, agora, até já se propõe a bater o recorde da Europa dos 400 m, em maio, na Suíça.

Maratona

Mas a aventura no atletismo até podia ter acabado mal. Tudo porque começou da pior forma. Em 2004 os seus pés escorregaram do suporte durante a Maratona de Berlim e acabou por partir a perna esquerda. Teve frio e dores, mas continuou até ao fim só para não ter de esperar pela ajuda. No final foi analisado e internado. Mas, mais uma vez, não desanimou e é vê-lo agora ambicioso, atrás dos títulos numa modalidade que ama e que também o ajudou a estar na vida com alegria.

Bateu um recorde para ajudar amigas

Em 2007, Mário conheceu duas amigas com osteogénese imperfeita (doença dos ossos). O sonho delas era ter uma carrinha para poderem sair de casa. "Quis ajudar e lembrei-me de bater o recorde do Guinness para angariar dinheiro. O então presidente da Naval 1.º de Maio, Aprígio Santos, veio ter comigo e disse-me: ‘Não faças esse esforço. Vou dar-te a minha carrinha.’ Só que eu já tinha tudo organizado", lembra.E bateu mesmo o recorde: 183,4 km em 18h53m em cadeira de rodas. Só que Aprígio viria a ter problemas com a Justiça. "Os bens dele foram penhorados e a carrinha também porque continuava em seu nome. Hoje está parada. É uma pena. Foi tudo em vão", lamenta.

CLASSES

T51

Tetraparaplegias, com comprometimentos da função do ombro, flexão do cotovelo e dorsi-flexão do punho

T52

Tetraparaplegias com funções normais dos ombros, cotovelos e punhos, mas com comprometimento da função de flexão e extensão dos dedos

T53

Paraplegia com funções normais dos membros superiores e comprometimento dos músculos abdominais e dorsais

T54

Funções normais dos membros superiores com comprometimentos leves das funções do tronco

"T" significa Track; "5" significa atletismo em cadeira de rodas, e o último número representa o grau de incapacidade. A título de exemplo, um atleta de classe T51 percorre os 100 metros na ordem dos 21 segundos, enquanto um atleta de classe T54 faz a mesma distância em 14 segundos

1
Deixe o seu comentário
SUBSCREVA A NEWSLETTER RECORD GERAL
e receba as notícias em primeira mão

Ultimas de Record da Tudo

Notícias
M M