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Norton de Matos: A minha CAN

Artigo de opinião do treinador a analisar a competição

• Foto: Reuters
A edição deste ano da CAN premiou as equipas com filosofias calculistas, pragmáticas e mais preocupadas em não perder do que ganhar. Foi neste contexto que Egito, de Hector Cuper – que quase sempre se esqueceu de jogar –, e Camarões, de Hugo Broos – com enorme força mental –, chegaram à final, com pouco espetáculo, pouca emoção e poucos golos.

Felizmente que a final teve um golo cedo e merecido a favor do Egito, comandado pelo regressado Elneny. Ao intervalo, parecia que os Camarões estavam sem recursos para virar o resultado. Errado. Na segunda parte, a equipa passou a jogar um futebol mais ofensivo e a criar situações de perigo. Sentia-se vontade e revolta nos jogadores em ganhar a final. E assim Aboubabkar, grande responsável pela metamorfose ofensiva, tornou-se no herói improvável desta CAN, ao marcar o golo da vitória num lance genial.

Fez-se justiça. Ainda bem para o futebol que o Egito não ganhou esta CAN.

Paulo Duarte e o Burkina Faso mereciam esta final. Foi a selecção mais regular no plano exibicional, desde o início da competição, com um enorme equilíbrio tático e que sempre procurou o jogo ofensivo, traduzido em 8 golos, sendo a mais concretizadora do torneio. Muito injusta a derrota nos penáltis com o Egito.

Marrocos, treinado pelo duplo vencedor da CAN – Renard – e o Gana, de Grant, foram vítimas do seu calculismo defensivo e desiludiram. Tal como a Costa do Marfim e a Argélia, autênticas desilusões.

Ficámos com saudades da beleza dos bons momentos de futebol e fantasia proporcionados pelo Burkina Faso, Senegal, Tunísia e Congo. Infelizmente, ficaram pelo caminho, vítimas da sua ineficácia.

A Guiné Bissau, Zimbabwe, Gabão e Uganda confirmaram ser as equipas mais inexperientes e podem-se queixar da própria ingenuidade nos detalhes e momentos decisivos dos jogos. Mas uma ótima experiência e aprendizagem, sobretudo para a Guiné Bissau.

Camarões foi a grande surpresa da CAN deste ano. Com uma equipa com muitas ausências por renúncia – e outras por opção – e com uma maioria de estreantes, era considerada a seleção mais fraca de sempre a representar o país. Fiquei com essa sensação depois de ver o jogo contra a Guiné Bissau, que os Camarões só não perderam por causa da imaturidade coletiva dos guineenses. Também contra o Gabão foram salvos por um super Ondoa e pelos postes.

Hugo Broos foi o grande arquiteto da renovação desta equipa. O jovem Bassogog foi a revelação e o melhor jogador do torneio. Com grande experiência, conduziu a equipa com mão de ferro, indiferente às criticas e ceticismos. Para além das ausências, deixou regularmente no banco as estrelas Aboubakar, Nkoulou e Njie. Privilegiou o mérito e o rendimento em vez do estatuto. Ganhou a sua aposta. Tornou-se o herói do país e da competição.

Equipa Elite da CAN

1 Ondoa Camarões/Sevilha 21 anos
2 Dirar Marrocos/Monaco 31 anos
3 Hegazy Egito/Al-Ahly 26 anos
4 Ngadeu-Ngadjui Camarões/Sparta Praga 26 anos
5 Mendyl Marrocos/Lille 19 anos
6 Kouyaté Senegal/West Ham 28 anos
7 Keita Baldé Senegal/Lazio 21 anos
8 Wakaso Gana/Panathinaikos 26 anos
9 Junior Kabananga Congo/Astana 27 anos
10 Salah Egito/Roma 24 anos
11 Bassogog Camarões/Alborg 21 anos

Equipa Jovens Promessas da CAN (Sub-23)


1 Koffi Burkina Faso/Asec Abidjan 20 anos
2 Iguma Uganda/Al Ahed 22 anos
3 Bensebaini Argélia/Rennes 21 anos
4 Amartey Gana/Leicester 22 anos
5 Kolibaly Burkina Faso/RCB 22 anos
6 Partey Gana/At. Madrid 23 anos
7 Ismaïla Sarr Senegal/Metz 18 anos
8 Kessié Costa do Marfim/Atalanta 20 anos
9 Faruku Miya Uganda/Santard Liège 20 anos
10 Ramadan Sohbi Egito/Arsenal 20 anos
11 Bissouma Mali/Lille 20 anos

Equipa Africana da CAN

1 Onyango Uganda/Sundowns 31 anos
2 Naguez Tunisia/ESSAHEL 24 anos
3 Aly Gabr Egito/Zamalek 28 anos
4 Bope Congo/Mazembe 24 anos
5 Ochaya Uganda/KCCA 23 anos
6 Tarek Ahmed Egipto/Zamalek 28 anos
7 Mahachi Zimbabué/Golden Arrows 23 anos
8 Al Said Egito/Al Ahly 31 anos
9 Bolingi Congo/Mazembe 22 anos
10 Ben Amot Tunísia/Esperance de Tunis 24 anos
11 Biliat Zimbabué/Sundowns 26 anos

Treinador da CAN – Hugo Broos (Camarões)
Jogador da CAN – Bassogog (Camarões)
Revelação da CAN – Bassogog (Camarões)
Melhor Marcador – Kabananga (Congo) 3 golos
Melhor Ataque – Burkina Faso (8 golos)
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