Um fim de tarde em festa - em total euforia, pode mesmo dizer-se - e um início de noite em lágrimas. Em pouco mais de duas horas muitos turistas ingleses em férias no Algarve viveram sentimentos distintos e o que chegou a anunciar-se como um dia histórico acabou em desilusão.

"Poderíamos estar a ganhar por 2 ou 3-0 ao intervalo, o que seria merecido; não fizemos mais golos e isso matou-nos, o empate dos croatas deixou-nos de rastos animicamente e a partir daí o sonho começou a ruir", explicou (o lúcido) Mark Niall, que não escondia a sua deceção. "One more beer [mais uma cerveja]", gritava, bebendo agora "para esquecer uma noite ingrata".

Nos locais mais turísticos do Algarve foram vários os bares que criaram um ambiente especial para os ingleses. Na Praia da Rocha, o ‘On The Rocks’, habitual ponto de encontro da comunidade britânica mesmo fora da época de férias, estava a abarrotar.

O hino, "God Save the Queen", foi cantado a plenos pulmões, com toda a gente de pé, e muitos nem tiveram tempo para sentar-se, pois Trippier não demorou a colocar a Inglaterra em vantagem. Foi o delírio - mal sabiam os ingleses que a festa, para eles, acabava ali...

"Vamos ao segundo, vamos acabar já com isto!", gritava Lohan, em tempos guarda-redes dos escalões amadores, em Birmingham. "1-0 é um resultado perigoso", advertia, com conhecimento de causa, complementando: "Uma bola parada, um erro, e tudo se complica". Um presságio que se concretizou.

A cada situação de perigo perto da baliza croata correspondiam sonoras reações e o intervalo foi bem regado: muita cerveja correu das torneiras, em copos de litro, ao estilo britânico, com os sorrisos a deixarem transparecer grande confiança.

Mas o golo de Perisic alterou os semblantes. "Oh não! Foi falta, foi falta, não vai contar", ouviu-se. mas contou, e a partir daí os adeptos britânicos entraram em... depressão. Cada vez mais calados e descrentes na sua seleção, apontando erros quando durante mais de uma hora só viram virtudes.

"Perdemos a oportunidade de uma vida, talvez. E foi pena, estivemos muito tempo por cima da Croácia", resumiu Bryan Thomas, enquanto nos desafiava: "Quer uma cerveja?"

O sonho de Alex

Alexander, de 14 anos, exultou quando Trippier marcou. "Vou ver a Inglaterra numa final. Que alegria!" Ao lado, o pai complementava: "Vais tu e vou eu... Agora deixamos de ouvir o avô a contar aquelas histórias de 66 e teremos as nossas histórias!" Alex vibrou com uma primeira parte que entusiasmou os turistas e adeptos ingleses, deixando-os com um sorriso rasgado (e com muita sede!), pois a equipa orientada por Gareth Southgate foi claramente superior a uma Croácia sem soluções ofensivas. Mas a segunda parte foi diferente e o prolongamento acabaria por deixar Alex e muitos compatriotas em autêntico pranto. "Não merecíamos, foi muito injusto! Uma lástima!" Um final em tons dramáticos.


Autor: Armando Alves