A Liga espanhola já tinha pedido à UEFA uma investigação séria aos negócios do Paris Saint-Germain e do Manchester City, mas Javier Tebas foi esta quarta ainda mais longe nas críticas ao investimento realizado pelo clube francês, que contratou Neymar e Mbappé este verão - só a compra dos dois jogadores vai custar mais de 400 milhões de euros ao PSG.

"Estão a rir-se do sistema. Temos de falar assim nesta condições. Apanhámo-los a urinar na piscina. Se Neymar está no trampolim, está a urinar desde o trampolim. No mínimo é preciso de abrir um inquérito, isto necessita ser investigado", afirmou o presidente da Liga espanhola, em Manchester, onde esteve presente em mais uma edição do fórum 'Soccerex Global Convention'.

O facto de o dinheiro investido pelo PSG vir do Qatar - o clube francês é detido por um fundo público deste país do Médio Oriente -, à semelhança do que acontece no Manchester City - neste caso oriundo dos Emirados Árabes Unidos -, é o grande problema para Tebas. "O futebol europeu precisa saber que existe um risco incrível quando o dinheiro vem destes países", lembrou.

Segundo Javier Tebas, os valores que o PSG vai pagar por Neymar (222 milhões de euros) e Mbappé (180 milhões de euros) acabam por inflacionar os preços que os outros clubes têm de investir para se reforçar. "O que acontece quando este dinheiro chega ao mercado do futebol? Aí está a inflação dos salários, das transferências. Por causa desses 222 milhões, todos os preços aumentaram. E isto sucede em todo o lado. Quando há demasiado dinheiro, os preços sobem muito. É a forma como funciona o mercado. Isto é dar cabo do futebol", acrescentou.

O líder da Liga espanhola aponta mesmo que, se o PSG quiser, até Cristiano Ronaldo e Lionel Messi podem rumar a Paris. "As suas cláusulas de rescisão são mais altas, mas se Nasser Al-Khelaifi [presidente do PSG] quiser a ambos os jogadores pode abrir a válvula da gasolina e comprá-los. É este o preço de mercado? Não, é o preço do mercado da gasolina. Talvez o PSG possa manter estes preços. Quando cumprirem o equilíbrio estabelecido pela UEFA, já não sei", frisou ainda.

"Não é que não gosto do PSG. Se o Neymar saísse para o Manchester United não seria importante levar isto aos tribunais. O Manchester United não tem dopagem financeira e tem a capacidade de pagar. O PSG tem muito mais receitas por patrocínios do que o Manchester United. Isso é impossível. O que temos visto recentemente com o PSG ou o Manchester, ou mesmo o Chelsea no passado. Têm dinheiro a entrar que não é dinheiro que o clube gera", concluiu.