O treinador que apadrinhou a estreia de Davide Santon na equipa principal do Inter Milão, num jogo da Taça de Itália frente a Roma (2-1), disputado a 21 de janeiro de 2009, foi José Mourinho, então na que seria a primeira de duas temporadas gloeriosas ao serviço do clube italiano.

O defesa tinha acabado de fazer 18 anos e depois disso continuou a marcar presença no onze nerazzurri com bastante regularidade, recordando com saudade os ensinamentos que recebeu do treinador português... os quais não se limitavam a ser de ordem técnico/tática.

"Volta e meia Mourinho virava-se para mim e dizia: 'não andes com o Mario'. E eu respondia: 'mas mister, nós somos amigos'. E era mesmo assim. Houve um período que estávamos sempre juntos, ia e vinha dos treinos no carro dele. Não tinha carta e ele dava-me boleia", contou Santon, em entrevista ao site do Inter Milão, referindo-se ao 'problemático' Mario... Balotelli.

"Passei por um período de máxima confiança, comecei como 'o novo [Giacinto] Facchetti', 'o novo [Paolo] Maldini'. Mas depois veio um momento em que estive sob forte pressão, pois esperava-se sempre cada vez mais e euu era muito jovem. Comecei não ter fracos desempenhos, perdi a confiança e sem confiança as coisas deixam de correr bem. Tudo parte da cabeça. Quando a cabeça não quer, ou quando não tens confiança, dificilmente consegues fazer bons jogos. Perdi um pouco da leveza que tinha no início. Os adeptos queriam que o Inter vencesse todos os anos. E é certo que também cometi muitos erros", prosseguiu Santon, encerrando com um elogio ao treinador que o lançou:

"Agora todos me vêem como lateral-esquerdo, mas eu só comecei a jogar nessa posição aos 18 anos e fui muitas vezes criticado pela forma como jogava. Tinha jogado sempre como extremo ou médio. Foi Mourinho que me converteu [em lateral], pelo que tenho de dizer que teve 'olho'."