A acusação da justiça espanhola de que Cristiano Ronaldo defraudou o fisco em 14,7 milhões de euros caiu de surpresa no mundo do desporto. Digerida a notícia, a defesa do craque do Real Madrid - constituída pela Backer & McKenzie e pelo advogado espanhol Luis Briones, especialista em assuntos fiscais - já definiu o plano para contrariar as acusações de fuga ao fisco movidas contra o internacional português.

Os advogados de CR7 consideram que em Espanha não existe uma forma clara de pagar impostos sobre os direitos de imagem de futebolistas submetidos à famosa 'Lei Beckham', que se referia à forma de tributação de rendimentos para estrangeiros e que poderia ser feita em parte fora do país. O que será alegado, tomando por base um estudo da consultora 'Nielsen', é que entre 91,5% e 94% dos rendimentos de direitos de imagem de Ronaldo eram gerados no estrangeiro, como ícone global que é, e o restante em Espanha.

Porém, tal como António Lobo Xavier afirmou à SIC, o futebolista, à cautela, optou por imputar 20 por cento desse bolo ao território espanhol, o que até seria, teoricamente, mais vantajoso para o Estado espanhol. Portanto, a equipa de advogados admite ao 'El Confidencial' que possa existir uma "discrepância" com o fisco espanhol relativamente aos contratos que deverão ser declarados em Espanha ou no estrangeiro mas apenas isso e nunca um delito fiscal, ou seja, que não houve qualquer intenção de fugir ao pagamento.

Recorde-se que Ronaldo, em 2015, foi de livre vontade regularizar a sua situação junto da Autoridade Tributária, tendo pago 5,6 milhões de euros por vários contratos de patrocínio com multinacionais.


Autor: João Socorro Viegas