Têm sido muitas as desconsiderações, mas acima de tudo é uma promessa não cumprida que fez Cristiano Ronaldo tomar a decisão de sair do Real Madrid. E desta vez não há volta a dar. O melhor do Mundo está, pois, no mercado. França (Paris SG, ‘bien sûr’), Itália (Juventus, Milan, Inter, Roma, não faltam pretendentes) e Inglaterra (Manchester United, sempre na primeira linha, mas há outros...) sabem que a partir de agora podem avançar ‘sem medos’ e naturalmente com um camião de dinheiro.

Que promessa não cumprida foi essa que levou Cristiano a tomar a decisão – difícil e penosa, é certo, mas firme e irreversível – de abandonar Madrid? A história conta-se assim: após a final da Liga dos Campeões da época passada (2016/17, na qual o Real Madrid venceu a Juventus), Florentino Pérez garantiu que iria renovar o contrato de Cristiano Ronaldo (cujo atual vínculo expira em 2021) por valores mais próximos da conjuntura atual, colocando o melhor jogador do Mundo no patamar dos seus ‘rivais’ Messi e Neymar.

Esse aumento foi acertado e, sabe Record, confirmado posteriormente através e um telefonema direto de Florentino para Cristiano. Acontece que o tempo foi passando e... nada. A promessa não passou ao papel. O presidente merengue não cumpriu a sua palavra.

Houve avanços e recuos durante este último ano, mas ficou tudo em águas de bacalhau. A última oportunidade aconteceu na terça-feira, quando Jorge Mendes esteve reunido com Florentino Pérez. O resultado foi igual a tantos outros, ou seja, zero.

Dinheiro não é tudo

Ronaldo aguentou, aguentou. Continuou a marcar golos, a dar vitórias e a conquistar títulos. Nem por isso Florentino contratualizou o acordo verbal com os números que tinham sido definidos. Pior, o líder do Real Madrid – que não era o presidente quando CR7 chegou ao clube – nunca deixou de desvalorizar as proezas e a importância do português no trajeto triunfal dos merengues e nunca teve uma palavra de gratidão ou de admiração por Cristiano. Algo que contrastou com o que treinadores e companheiros de balneário sempre fizeram.

É um facto de CR7 está longe de ser atualmente um dos jogadores mais bem pagos do Mundo, apesar de ser... o melhor (Alexis Sanchis, agora no Manchester United, ganha mais do que ele...), mas mais do que o dinheiro é a falta de reconhecimento pelo estatuto que o coloca no trono do planeta e as desconsiderações de que tem sido alvo que conduzem a este ponto de não retorno.

Falta de empatia

São vários os episódios que jornalistas espanhóis e outros agentes e dirigentes desportivos testemunharam e que confirmam um sentimento estranho de Florentino em relação a Ronaldo. Mais do que frieza e indiferença, há quem fale em ciúme pela dimensão e influência que Cristiano tem tido no trajeto de sucesso do Real Madrid desde que chegou a Santiago Bernabéu.

A falta de empatia de Florentino com Ronaldo foi notada quase desde a primeira hora, e à medida que os anos passam ele tem-se acentuado. Às vezes chega mesmo a ser desrespeito. Por exemplo, quando CR7 conquistou a última Bola de Ouro e o comentário de Florentino foi este: "Neymar com a camisola do Real ganhava o prémio". Neymar, aliás, parece ser uma obsessão do presidente merengue, que sempre que pode elogia Benzema ou Bale, mas sobre Ronaldo limita-se a monossílabos.

Chegado a este momento, a decisão é inevitável e irreversível: Ronaldo vai deixar o Real. Agora, está aberto o leilão. Os que desejam o melhor do Mundo, têm luz verde para avançar.