Russa: Paixão pelo futebol e muito talento no rap

Entrevista com a mais recente figura do hip hop nacional

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Chama-se Russa, tem 24 anos e está a mostrar-se ao mundo no universo do rap. Os temas do album de estreia, denominado Catarse, já estão a ficar no ouvido e são muitos os que começam a escutar com mais atenção as rimas desta jovem, natural de Santarém, que tem uma ligação muito forte ao desporto-rei. Como confidencia ao nosso jornal, já na barriga da mãe dava os primeiros chutos e a paixão ficou até hoje. Estivemos à conversa com Russa depois do concerto no EKA Palace, em Lisboa, e descobrimos que se ganhou uma rapper de tremenda qualidade, mas também se perdeu uma futebolista com pergaminhos. Fixem este nome, porque vão ouvir falar muito dele no panorama cada vez mais mediático do hip hop nacional.

1 - Antes de entrarmos no mundo da música, é inevitável passar pelo futebol. Porque pelo que percebi, és grande fã da modalidade. Como surgiu esse "bichinho"?

Acho que já jogava dentro da barriga da minha mãe [risos]. Está cá desde sempre. Mesmo quando era mais nova e morava numa zona em que não tinha vizinhos da minha idade, inventava montes de jogos e os vasos de flores da minha avó eram os adversários improvisados [risos]. No entanto, nunca ninguém me influenciou e na minha família não havia grande ligação ao desporto.

2 - Jogaste durante muito tempo? Era um objetivo teu ser eventualmente futebolista?

O meu sonho era ser futebolista. Infelizmente nasci numa geração (e numa localidade) pouco igualitária. Na escola era craque, mas nunca tive oportunidade de jogar numa equipa a sério. Mais tarde, nos tempos de adolescência pude começar a jogar futsal no Desporto Escolar. Enquanto federada, só comecei a jogar aos 21 anos quando já estava a morar em Lisboa e a realidade era outra. Joguei futebol universitário na Holanda e Austrália também. Agora só treino de vez em quando no Guia FC.



3 - Como vês o crescimento do futebol feminino no nosso país, bem como no estrangeiro. Positivo?

Eu já vejo uma evolução enorme. Na equipa do meu irmão, que tem 12 anos, há 3 raparigas. Ver esses jogos é surreal. Lá fora a realidade é outra. No ano passado fui ver a final da Liga dos Campeões em Cardiff e a claque do Paris SG cantou e apoiou a equipa de uma forma que eu nunca tinha visto no futebol feminino. Nessa altura eu morava em Londres e jogava amigáveis de Fut5 uma vez por semana. Ali toda a gente pode jogar. Acho que quem quiser trabalhar no duro pode chegar a algum lado e quem quiser jogar sem compromisso também tem equipas. Aqui não. Na Holanda e na Austrália também há muitas ligas/divisões. Não tem nada a ver com Portugal.

4 - Achas que será possível algum dia em Portugal o futebol feminino estar num patamar semelhante aquele dos Estados Unidos, por exemplo.

Sendo realista, num futuro próximo, não. É incomparável. Temos qualidade, mas não temos oportunidades nem competitividade suficiente para evoluir como num país desses. Daqui a umas quantas gerações, talvez.

5 - E no que diz respeito à nossa Liga, o teu coração bate pelo Sporting? Como tens visto esta temporada para os leões? E a situação recente do Bruno de Carvalho?

Sim, bate! Não pude acompanhar esta época tão de perto porque estive a trabalhar no meu álbum, por isso prefiro não fazer grandes juízos. Quanto à polémica, só posso dizer que o futebol profissional não tem nada a ver com o futebol de rua. O futebol profissional é mais um negócio do que um desporto. Não sei o que se passa dentro do clube e que interesses poderão estar envolvidos. Prefiro não emitir qualquer juízo de valor.

6 - Seguindo agora para o teu "outro" mundo, quando é que paraste e disseste: "Vou começar a fazer rap e a levar isto muito a sério"?

Quando ouvia outros artistas e pensava "consigo fazer melhor".

7 - O teu album já cá está fora. Que primeiro balanço fazes, em termos de vendas e visualizações dos temas no YouTube e demais plataforma de partilha.

É um balanço positivo tendo em conta que não tenho agente e sou eu que financio tudo.

8 - Tenho de fazer a típica pergunta, que já te terão feito muitas evzes, mas é essencial - é mais dificil para uma mulher vingar no universo do hip hop?

É mais fácil ter exposição inicial, mas é mais difícil ganhar respeito. Imagina uma atleta melhor do que o Ronaldo em termos técnicos, físicos e tácticos mas a quem dizem "até és boa... para rapariga". Não é um julgamento imparcial. É um mundo muito sexista, mas que naturalmente, será igualitário com o passar do tempo.

9 - Quais são os teus próximos objetivos em termos de carreira?

Quero marcar a Lusofonia. Quero ir mais além do que tudo o que já foi feito neste país.

10 - Já ouvi grande parte dos teus temas, como definirias o teu som dentro do mundo do rap?

Neste álbum trap consciente, diria eu. No entanto, adapto-me a qualquer instrumental e estilo de rima dependendo do momento em questão.

11 - Temos assistido a um "boom" tremendo do fenómeno, muito catapultado pelos "beefs" do Piruka, 9Miller e afins. Os festivais deste ano já tem muito mais rap do que nos últimos anos. Vieram para ficar?

Espero que sim. Muitas portas abriram-se para o rap. Agora, é da responsabilidade de quem tem essas oportunidades, mostrar qualidade e não ficar a dormir à sombra.

12 - No que diz respeito a concertos e promoção, o que queres contar ao mundo. Onde te podemos seguir e onde te podemos ver ao vivos nos próximos tempos?

O Instagram é a plataforma que mais utilizo: @rap.russa . Aí podem ficar a par de tudo! No entanto, também tenho canal YouTube, página Facebook e a minha música está disponível em todas as plataformas digitais. Tenho actuado apenas em Lisboa. No entanto, agora que lancei o álbum quero agendar mais concertos por todo o país. Vou analisando as propostas que chegam a booking.russa@gmail.com

13 - Como surgiu a possibilidade de fazeres um clip com a equipa dos Navigators? És fã de futebol americano ou surgiu de outra forma?

A música RUSSA - Imperatriz representa a perseverança e foi escrita num registo bastante agressivo. Escolhi esse desporto quase como metáfora para o que a música representa e escolhi os Navigators por serem uma equipa de campeões. Foi uma colaboração incrível!

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