Entrámos em Maputo. A nossa aventura está quase a chegar ao fim e já estamos a pensar em repeti-la. Moçambique encantou-nos! A beleza das paisagens, as suas praias de águas cálidas, límpidas e de areias douradas, o clima que para eles é de Inverno e para nós de Verão, enfim, a simpatia, afabilidade e a alegria das suas gentes, sobretudo nas aldeias «perdidas» do interior de Gaza, ao reencontrar portugueses marcaram-nos profundamente e, por isso, ao jantar, no velhinho Piripiri, a conversa girou sempre em torno de um tema e de uma promessa: temos de voltar.

Claro que nem tudo foi assim, esplêndido, espectacular e agradável. Registámos imagens quase chocantes. A extrema pobreza das populações de Gaza, fustigada por uma seca que persiste há anos, ou o estado de degradação de unidades hoteleiras que nos tempos coloniais eram locais de excelência são disso exemplo. Mas nem elas ameaçam minimamente o desejo de regressar.

Existirão outras certamente, mas a opção que fizémos ao escolher o traçado do nosso percurso foi excelente. Não terá sido a mais fácil, muito menos a mais utilizada, mas foi aquela que nos permitiu entrar um pouco no «coração» do país, percorrendo quilómetros e quilómetros de pistas (algumas das quais há muito tempo não eram «pisadas» por uma viatura), de picadas e estradas (em terra batida, esclareço) ora por entre uma vegetação pobre e seca, ora rodeados por um capim alto e ondulante, ou mesmo junto a uma floresta de embondeiros. Entrámos em aldeias onde fomos recebidos sempre com sorrisos e onde qualquer dúvida era esclarecida, falámos – por vezes num português muito deficiente – com homens, mulheres e crianças e nestas vimos o olhar de espanto, primeiro, de alegria, depois, quando recebiam os pequeninos presentes que lhes oferecemos. E aqueles sorrisos de agradecimento são inesquecíveis.

Ah!!!! E depois as praias. As praias de areias doiradas por onde águas límpidas, cálidas, transparentes se «espreguiçam» ao longo de quilómetros infindáveis. Pomene, a Baía dos Cocos, a Praia do Tofo, o Chongoene, o Xai-Xai e, finalmente, a Baía do Bilene não são lugares deste mundo. São lugares do outro mundo!

E sempre tudo a correr na maior tranquilidade, pacifica e seguramente. Até mesmo quando, no meio do Parque Nacional do Banhine, montámos acampamento. Não havia nem luz, nem água (a não ser obviamente as que dispunhamos nos nossos dois «japoneses» ) e o guarda até estava doente (resolvemos o assunto...), mas por cima de nós havia um céu estrelado e uma lua (quase) cheia esplendorosos. E no Bilene pudemos ouvir boquiabertos um moçambicano dizer os rios e as linhas de caminho de ferro que existiam em Portugal. Tinha-as estudado há mais de meio século... E sabia que algumas tinham sido destruidas (há que diga encerradas, mas prefiro o meu termo) não fazia muito.

Entrámos, como disse, em Maputo. Não pela estrada Nacional 1, mas pela - para nós nova - via rápida que vai directa à Costa do Sol. Muita gente ainda estava na praia, aproveitando a tolerância de ponto – o mesmo é dizer feriado – que o Governo concedeu. Os vendedores ambulantes acumulam-se ao longo do passeio. Há de tudo um pouco! Passamos pelo Polana, o hotel mais emblemático da capital e que, no meu caso, tanta recordação me traz à memória. Estamos na cidade... A noite cai. O Piripiri está bem composto. Numa das televisões passa o telejornal moçambicano; noutra o português. O frango continua a ser picante, mas bom. E a Laurentina também. Sentimo-nos em casa!

Uma viagem que é impossível esquecer

Uma viagem que é impossível esquecer


Autor: Eládio Paramés