Nesta nossa aventura por terras moçambicanas, atravessámos a província de Gaza, desde a fronteira de Giriyondo até à espantosa costa de Pomene, uma das mais atingidas por uma seca extrema. O que vimos não mais esqueceremos.

Como escrevemos em textos anteriores, há mais de três anos que em Gaza não cai uma gota de chuva. As terras não podem ser cultivadas; o gado morre de sede; a fome devasta as populações; e até mesmo os olhos das crianças estão secos.

O governo moçambicano esforça-se em acções visando minorar a dramática situação, mas a sua ajuda não é suficiente. Nas aldeias por onde passámos, apenas foi possível ver umas quantas, poucas, cabeças de um mal nutrido gado, umas pequenas machambas (pedaços de terra cultivados), meia dúzia de galináceos e nada mais. Mulheres e crianças são obrigadas a percorrer largos quilómetros em busca de água. Salobra. Imprópria para consumo, mas a única existente.

Mas ainda assim há quem resista. Há quem por aquelas aldeias procure espalhar conhecimento, apesar de o quadro de ardósia ter de ficar pendurado numa árvore e os alunos sentados sob a sua sombra protectora. A bata branca identifica o professor. São heróis!

Noutras aldeias, mais populosas, as crianças já têm uma sala de aula e carteiras onde se sentar. Os seus sorrisos são encantadores. Com os olhos arregalados, aguardam a sua vez para receberem os lápis, as canetas e as bolachas que temos para lhes oferecer. Pouca coisa, infelizmente, para tanta necessidade. Sentimos isso e sentimos um aperto cá dentro quando partimos.

As crianças de Gaza ficarão para sempre na nossa memória.

Imagens de uma aventura em Moçambique

Imagens de uma aventura em Moçambique


Autor: Eládio Paramés