Foi um fim de ano diferente. Em vez dos tradicionais bailaricos, barulheira, foguetório e música brasileira, entremeada com pimba, optámos por ir até ao deserto do Sahara, em pleno coração de Marrocos. Levámos connosco o Record para poder dar, primeiro aqui, depois na revista R, a todos os seus leitores uma alternativa aos costumeiros festejos de fim de ano.

Chegar ao Erg Cheby - àquela imensidão de areia dourada - é fácil, seja de carro, seja de jipe. O que é mais complicado é chegar ao acampamento,, pois a hora e meia em cima do dromedário (camelo tem duas bossas!) começa por ser engraçada, mas acaba por ser dolorosa. Pelo menos, para algumas partes mais sensíveis...

Mas, chegados lá... que maravilha!! As tendas são fantásticas - é como se estivéssemos em casa - o ambiente formidável, o jantar agradável e o convívio muito interessante. E o brilho das estrelas nem sequer é ofuscado pela enorme fogueira que nos defende da frialdade da noite, uma noite que passa sem nos darmos conta, por entre copos (confesso) e conversas.

Quando damos por ela, um ano acabou e o outro ... já vai nos primeiros minutos. Abre-se o champanhe, brinda-se ao futuro e faz-se votos para que o próximo fim de ano seja, pelo menos, tão agradável como este.

No dia seguinte, é o regresso, mais uma vez no lombo do bicho. Depois, já no «conforto» do jipe, horas de navegação por aquele mar de dunas que nos desafia e nos faz subir a adrenalina para níveis elevados. É outra experiência que se recomenda, com um aviso prévio a quem nunca aqui esteve: não vá só, contrate um guia local. Vai ver como será um dos mais divertidos primeiros dias de um qualquer novo ano.

Autor: Eládio Paramés