O nosso jornal procurou, junto de uma das pessoas que mais percebe dos meandros de doping, esclarecer melhor o que se passa com o controlo positivo de Chris Froome na Vuelta.

Luís Horta, antigo presidente da Autoridade Antidopagem de Portugal (ADoP), é uma dessas pessoas, e sem estar a condenar o ciclista antes de o caso estar totalmente esclarecido, estranha o seguinte: "O Froome, como camisola amarela, ia ao controlo antidopagem todos os dias. E só naquele dia é que acusou e logo dobro do permitido? Ou seja, nos dias anteriores, ao que parece, os valores andaram dentro dos normais", frisou o clínico, para quem um valor acima dos "1.000 nanogramas por mililitro é raro acontecer".

Froome acusou positivo a salbutamol no valor de 2.000 nanogramas, o dobro do permitido. O controlo antidopagem foi feito a 7 de setembro, na 18ª etapa, e ao 16º dia em que vestia a amarela. Alega ter seguido os conselhos do médico da Sky, após o agravamento da asma.

Suspenso...ou talvez não

Luís Horta também explicou as razões pelas quais a UCI não tinha a obrigação de suspender provisoriamente Chris Froome.

"Existem dois tipos de substâncias: as específicas e as não especificas. Nestas últimas, por exemplo os esteroides anabolizantes, tem de haver uma suspensão, nas outras, que pressupõe uma prescrição terapêutica, nem sempre. Fica ao critério da entidade, neste caso a UCI deu o benefício da dúvida ao atleta, que agora terá de apresentar provas que o ilibem."

O antigo presidente da ADoP, agora médico no Hospital Curry Cabral, adiante que Froome poderá ter de se submeter a um estudo fármaco controlado, a realizar num hospital ou clínica. "Digamos que será o tira-teimas."

Autor: Ana Paula Marques