ILGA classifica exame genético obrigatório a atletas um ataque à comunidade

Decisão do Comité Olímpico é "uma violação dos Direitos Humanos", diz associação

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COI determinou obrigatoriedade de testes genéticos para atletas femininas
COI determinou obrigatoriedade de testes genéticos para atletas femininas • Foto: AP

A Associação ILGA Portugal - Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual, Trans e Intersexo considerou esta terça-feira a obrigatoriedade de as atletas realizarem um exame genético para as provas femininas dos Jogos Olímpicos, mais um ataque à comunidade, excluída da decisão.

"Esta questão de verificar e inspecionar o género e o sexo das pessoas é, de facto, um atentado, uma violação dos Direitos Humanos, porque isso vai também colocar em risco pessoas CIS, não só trans, porque as CIS que possam ser um pouco fora da norma também serão impedidas de competir", criticou a presidente da ILGA, Daniela Bento.

Na quinta-feira, o Comité Olímpico Internacional (COI) , já a partir dos Jogos Olímpicos Los Angeles2028, à realização de um exame genético, o que excluirá automaticamente as mulheres transgénero.

"O que estamos a fazer é simplesmente excluir pessoas e retirá-las daquilo que é o desporto e de uma vida em comunidade. Se calhar, o exercício deveria ser outro: não escolher as pessoas, mas repensar exatamente como é que as categorias podem estar a afetar as pessoas de formas diferentes", referiu.

Daniela Bento critica a forma "unilateral" como entende que a situação está a ser gerida, lamentando o facto de a comunidade trans não ser ouvida convenientemente neste tipo de decisões.

A dirigente pretende que sejam reunidos organismos e associações que trabalham com pessoas trans e intersexo, bem como mentores desportivos e "realmente procurar soluções que visem incluir todos".

"Precisamos chamar as pessoas à discussão e discutir mais. Enquanto isso não acontece, acho que é um erro estarmos a escolher pessoas no desporto", observou.

Entende que deveria haver uma discussão mais aprofundada sobre as categorias que dividem as pessoas em Jogos Olímpicos: "Estamos a excluir pessoas trans, intersexo e qualquer outra que, de alguma forma, do ponto de vista biológico, vai sair fora daquilo que são os padrões daquilo que é definido como a normatividade".

A responsável da ILGA alerta para o facto de esta medida se inserir num conjunto de outras que têm sido "bastante agressivas para com as pessoas trans, pondo-as como um alvo de insegurança", algo que alastra às pessoas intersexo "que também deixam de ter espaço para competir".

Daniela Bento refere que há muitas pessoas trans e intersexo no desporto, mas alerta que esta discussão só versa "as que vencem", usando-se, em termos mediáticos, estes casos mais esporádicos para estabelecer regras gerais.

"O que estamos a dizer é que estas pessoas, ao fim e ao cabo, só são um perigo quando realmente começam a vencer", ilustrou.

A presidente da ILGA avisou para o que tem sido uma "demonização daquilo que é a identidade trans e das pessoas trans, principalmente mulheres trans" no espaço público, considerando que estão a ser alvo de muitas decisões que colocam em risco a sua "segurança", o mesmo acontecendo com as pessoas intersexo.

"É preciso ter algum cuidado. Queremos lutar para que as pessoas tenham realmente segurança, equilíbrio e vontade de estar no desporto. Que o desporto seja algo saudável para todas as pessoas, que estas possam competir em harmonia. Em muitas modalidades mesmo no dia-a-dia, as pessoas trans competem com outras pessoas CIS, sem problema, sem dificuldade. Ou seja, porque é que estamos a arranjar este tipo de problemas onde eles não existem", questionou.

O COI defende que a nova política de elegibilidade "promove a justiça, segurança e integridade da categoria feminina" nos Jogos Olímpicos.

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