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Miguel Monteiro: A promessa de ser já uma certeza

Lançador do peso, de 17 anos, é uma das maiores esperanças do desporto adaptado nacional

• Foto: Nuno André Ferreira

O que estava o leitor a fazer aos 15 anos ou, em alternativa para os mais novos, o que conta estar a fazer com essa idade? Pois saiba que foi precisamente com 15 anos que Miguel Monteiro, atleta do lançamento do peso adaptado, se estreou no palco de todos os sonhos: os Jogos Paralímpicos. Foi há pouco menos de ano e meio, no Brasil, e de lá para cá o jovem, que padece de nanismo, não pára de se superar.

Essa é, na verdade, uma característica que o seu treinador lhe aponta. "Supera-se sempre que está num grande palco", confessa-nos João Amaral, o responsável pela captação de Miguel Monteiro. Foi há apenas três anos, quando o jovem ainda se dedicava ao futsal. Tudo começou numa prova que o técnico viu no País de Gales... Dali em diante, foi sempre a subir, até chegar aos Jogos Paralímpicos.

"Foi brutal. Senti-me muito especial, porque nunca pensei chegar tão cedo a uns Jogos, até porque a minha presença foi devido à expulsão dos atletas russos. Foi uma experiência inesquecível", admite o lançador, que concilia a vida académica (está no 11º ano, na área científica) e a desportiva, que o faz treinar-se entre cinco a seis dias por semanas.

"Penso que sou um exemplo de motivação para os outros, pois apesar de ter uma vida dupla (escola e desporto) provo que isso é possível desde que queiramos", explica-nos.

E mesmo sendo obrigado a trabalho redobrado, Miguel Monteiro pensa continuar a estudar: "Sim, claro. Estou na área científica, mas ainda não sei o que quero fazer no futuro. Penso que engenharia, alguma coisa assim…"

João Amaral: «É muito fácil trabalhar com ele»

Fundamental na entrada de Miguel Monteiro no atletismo - foi ele quem o ‘recrutou’ ao futsal -, João Amaral é desde sempre o técnico do jovem lançador e é com um sorriso no rosto que nos fala sobre o seu pupilo e da sua evolução ao longo dos últimos tempos.

"É um rapaz muito inteligente e bom aluno na escola. É muito fácil trabalhar com ele, é cumpridor, é um rapaz aplicado", destaca João Amaral, que em 2016 viu o seu atleta destacar-se no Rio de Janeiro, nos Jogos Paralímpicos, algo que acabou por surpreender tudo e todos na comitiva lusa, até mesmo a sua própria equipa técnica.

"Tínhamos trabalhado bem, mas quando os atletas são muito novos temos de ter algum cuidado. Sabia que podia fazer coisas boas nos Jogos, mas longe de esperar que fosse quinto colocado na final. Foi uma agradável surpresa. Ficamos todos muito contentes. É um rapaz que tem uma vontade muito grande e é agradável trabalhar com ele", elogia o técnico.

E se João Amaral deixa palavras positivas do seu atleta, também Miguel Monteiro as retribui sem pensar duas vezes. Afinal de contas, foi graças ao treinador que a sua vida mudou por completo: "Sem o senhor João não tinha chegado onde cheguei, nem tinha começado a praticar atletismo. É uma pessoa muito importante para o meu desenvolvimento a nível desportivo. Sem ele não iria a lado nenhum, de certeza."

Sempre a bater recordes no Rio’2016

Quando o pequeno Miguel subiu ao Engenhão, o palco que recebeu as provas de atletismo no Rio’2016, pensou-se que a dimensão do estádio pudesse assustar o jovem luso, ainda inexperiente nestas andanças. Não foi o caso. Tanto que, entrando em concurso com 8,41 m de recorde pessoal, o lançador bateu por três (!) vezes o seu máximo ao longo da prova (colocou-o nos 8,89 m), um registo que na altura lhe valeu o 5.º lugar final. "Penso sempre em dar o meu melhor. Sei que a força está lá, que tenho tudo no sítio e que tenho de dar o meu melhor", admite.

Por Fábio Lima
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