Arrancou a traiçoeira caminhada olímpica do futebol português. Em busca de uma medalha de ouro inédita, a equipa orientada por Rui Jorge concentrou-se na Cidade do Futebol e realizou o primeiro treino… no meio da atmosfera surreal que envolveu a convocatória. O último a chegar foi Pité, o eleito para compensar a desistência de última hora de Nuno Santos, depois de o extremo, que está cedido pelo Benfica ao V. Setúbal, ter saído dos eleitos do selecionador nacional.

Diga-se, no entanto, que a ausência do jogador de 21 anos em nada se deve a uma nega dos sadinos. Bem pelo contrário. Segundo Record apurou, foi o próprio Nuno Santos a decidir não disputar os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, ainda com a grave lesão que sofreu na época passada como justificação. Então ao serviço do Benfica B, o extremo sofreu uma rotura de ligamentos do joelho esquerdo em dezembro e não voltou a jogar o resto da época, pelo que agora preferiu fugir a uma nova lesão.

Ainda à procura de ritmo de jogo, o esquerdino não quis fazer alterações abruptas ao seu plano de treinos para estar em plena forma no arranque da temporada. Nuno Santos deliberou e acabou por escolher ficar em Portugal, altura em que comunicou a decisão ao V. Setúbal. Nessa altura, os sadinos fizeram representar-se pessoalmente diante de Rui Jorge para explicar a situação, sendo que a principal preocupação era mostrar que a equipa treinada por José Couceiro quer facilitar a vida à Seleção Olímpica. O Vitória ainda disponibilizou o central Frederico Venâncio, mas Rui Jorge queria, naturalmente, um extremo.

Agra reclama lugar

Só com Pité de fora, Rui Jorge não olhou mais para trás e colocou mãos à obra. Com a convocatória possível, o selecionador nacional, de 43 anos, já viu bons pormenores no jogo reduzido que organizou em grande parte do treino. De um lado, estiveram Bruno Varela, Edgar Ié, Paulo Henrique, Tiago Silva, Bruno Fernandes, Salvador Agra e Carlos Mané. Do outro, os eleitos foram Joel Pereira, Esgaio, Tomás Podstawski, Francisco Ramos, André Martins, Sturgeon e Gonçalo Paciência.

Este primeiro teste acabou em goleada (6-2) para o primeiro grupo, com Salvador Agra a mostrar fome de golo... e de que maneira! O extremo do Nacional mostrou excelente entendimento com Fernandes e Mané na frente de ataque, acabando por marcar... quatro golos. Tiago Silva e Mané foram os autores dos outros tiros certeiros da equipa vencedora, ao passo que Gonçalo Paciência bisou pelos derrotados.

Mais do que o resultado – e do que os golos também –, Rui Jorge mostrou-se mais preocupado em ver as suas ordens serem cumpridas, especialmente a nível ofensivo. E, ainda que possa estar desanimado, isso não se notou. Bem mais visível foi a determinação de dar a volta a um processo, tal como o próprio disse, surreal.


Autores: Pedro Gonçalo Pinto e Ricardo Lopes Pereira