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Regresso entre a bicharada

Mais de um século depois, golfe volta aos Jogos Olímpicos num cenário idílico

Foi preciso esperar 112 anos para voltarmos a ver golfe nos Jogos Olímpicos. A primeira tacada deu-se ontem, no campo construído na Barra da Tijuca, num cenário idílico onde, além dos birdies, dos eagles e dos albatrozes é possível cruzarmo-nos com… animais a sério!

Inicialmente envolta em polémica, por ser feita numa zona protegida, a obra do Campo de Golfe Olímpico é agora um exemplo de sustentabilidade, tendo ganho recentemente o prémio da revista ‘Golf Digest’ para campos que protejam o meio ambiente. Afastando os medos iniciais, a construção do ‘tapete verde’ acabou por fazer aumentar exponencialmente a biodiversidade do local.

Ainda assim, foi com alguma surpresa que alguns dos artistas do golfe presentes nos Jogos se cruzaram com espécies bem raras. Cobras, capivaras, corujas, preguiças ou até jacarés. Sim, jacarés, que o diga Filipe Lima, um dos dois portugueses presentes no torneio olímpico do golfe. "No buraco 10 estava um crocodilo. Estava lá a olhar para nós, a bater palmas de vez em quando!", gracejou o bem-disposto atleta de 34 anos, nascido em França, mas que optou por jogar com as cores de Portugal, porque "o sangue pesa".

"Só vi um crocodilo, mas a verdade é que andam por aí muitos animais, é ‘porreiro’. O golfe também é isso, andar no meio da natureza", explica ainda o jogador que se estreou em competição terminando a primeira ronda em 17º empatado, com 1 pancada abaixo do par. Lidera o australiano Marcus Fraser, com -8 .

A biodiversidade parece não contemplar, por estes dias, mosquitos. Aqueles que serviram de desculpa para muitos dos melhores do Mundo não virem ao torneio olímpico, com receio do Zika, dizem. "Ainda não vi nenhum mosquito e não fui picado por nenhum. Os jogadores que decidiram não vir vão arrepender-se. Os que cá estão vão ter uma experiência única na vida", revelou Ricardo Melo Gouveia, que arrancou o torneio com 73 pancadas, duas acima do Par (é 41º).

Para abrilhantar a jornada, Justin Rose fez um hole-in-one num Par 3.

Representar o país no Rio traz "um pouco de pressão", diz Melinho

Ricardo Melo Gouveia não teve um bom arranque no torneio olímpico, fazendo 73 pancadas, duas acima do Par. "Senti a falta de ritmo de competição no início", diz o melhor português do ranking, que sublinha ainda que representar o país nuns Jogos Olímpicos, ainda para mais no regresso da competição, depois de St. Louis’1904, o deixou algo nervoso. "Há um pouco mais de pressão. O facto de estarmos a representar o nosso país é digno dessa pressão extra. Senti no início mas depois o jogo foi melhorando. Acalmei-me e as coisas começaram a correr melhor", diz, lamentando o vento forte que se fez sentir e o facto "de o ‘putt’ não ter entrado" ao longo do dia.

Filipe "tremeu" com estreia nos Jogos

Participar nuns Jogos Olímpicos é sempre um motivo de orgulho e Filipe Lima admite ter sentido o momento. "Comecei um bocadinho a tremer, porque é a primeira vez que estamos nuns Jogos e estamos um pouco perdidos nas sensações. Mas depois de bater os primeiros ‘shots’ voltou tudo ao normal." Apesar de ter terminado a primeira volta no grupo dos 17.ºs, o luso-descendente diz que o objetivo é "andar entre os primeiros", continuando a confiar num grande resultado. "Tanto eu como o Ricardo podemos ser medalha de ouro. É golfe, nunca se sabe. Estou muito bem e sabemos que quando estou bem nos greens sou perigoso", disse o atleta, muito agradado com o campo: "É fantástico, está uma maravilha. Tenho orgulho quando digo que foram portugueses a construir o campo.

Por Lídia Paralta Gomes. Rio de Janeiro. Brasil
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