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João Rodrigues: «Acho que era a melhor forma de terminar»

Português despediu-se emocionado

João Rodrigues, Portugal, Vela, Jogos Olímpicos
João Rodrigues, Portugal, Vela, Jogos Olímpicos • Foto: EPA
João Rodrigues terminou esta sexta-feira emocionado a sétima e última presença nos Jogos Olímpicos, afirmando que, apesar de falhar a 'Medal Race' de RS:X do Rio2016 por dois pontos, não poderia terminar de melhor forma.

"Se é a despedida olímpica? É... nunca mais vou fazer isto ao meu corpo, nem à minha mente. É a despedida", disse, com lágrimas nos olhos, à mistura com um sorriso e um ar visivelmente cansado, de quem tinha dado tudo.

Para João Rodrigues, este é "um momento muito feliz", em que sente que "tudo valeu a pena" para ter esta "vida cheia de significado", uma carreira olímpica que "acaba de uma forma muitíssimo bonita, num sítio extraordinário, a falar português e junto de muito bons amigos".

"Acho que era a melhor forma de terminar", frisou, conformado com o facto de não ter conseguido chegar à 'Medal Race', ao ficar no 11.º posto, a dois do 10.º e último que garantiu um lugar na última regata da classe.

Não dava para mais: "Quando acabou a primeira regata, pensei que não ia conseguir pôr-me outra vez em cima da prancha. Foi, realmente, muito exigente do ponto de vista físico. Pensava que já não ia conseguir, mas não tinha outra hipótese".

"O período de espera também não atrapalhou. Foi uma maneira de me habituar à ondulação, que era bastante grande, que são condições que eu até gosto. Foi um período bom. Eu tinha consciência que podia ser o meu último dia no mar aqui no Rio de Janeiro e, portanto, não ia desperdiçá-lo".

Assim, muito pragmático, o velejador madeirense, de 44 anos, lembrou que, por vezes, "perde-se às vezes por zero pontos" e até se mostrou "muito contente" por ter sido o espanhol Ivan Pastor Lafuente "que logrou essa última vaga".

"Ele hoje velejou extraordinariamente bem. Eu vi-o passar por mim duas vezes... não é que tivesse ficado muito contente", disse, afastando qualquer cenário de frustração: "Frustrante? Não pode ser. Eu gostava muito de ter entrado, mas também sabia que podia baixar. Havia muitos adversários atrás de mim com muito pouca diferença de pontos. Eu faço o mesmo resultado do que em Pequim, há oito anos. É assim mesmo".

Há dias, João Rodrigues havia dito que dificilmente conseguiria chegar no 'top 10' em qualquer regata, mas acabou por conseguir dois quartos, um deles hoje, na 10.ª regata, ao qual juntou um 12.º, na 11.ª, e um sétimo, na última.

"Satisfeito? Saio, mas saio sobretudo com a consciência que não conseguia, realmente, fazer mais. Mesmo hoje, eu cheguei a estar melhor em algumas regatas, mas, simplesmente, já não dava para mais. Não havia mais. Por mais que eu tentasse extrair sumo, já não saía mais nada", contou.

Para trás, fica agora uma carreira recheada de grandes momentos, nomeadamente nos Jogos Olímpicos: "Tive muitos momentos marcantes, mesmo aqui. A Cerimónia de Abertura foi extraordinária. Levar a bandeira foi um privilégio que nunca mais esquecerei".

João Rodrigues foi 11.º classificado na classe de RS:X, com 125 pontos, a a dois pontos do 10.º. Nas três regatas do dia, começou com um quarto lugar, na 10.ª regata ­- repetindo o que conseguira na nona --, para depois somar um 12.º, na 11.ª, e um sétimo.ª, na 12.ª e última do dia.

Em seis participações olímpicas, João Rodrigues teve como melhores registos o sexto lugar de Atenas2004 e o sétimo de Atlanta'1996, ambos na classe Mistral, sendo que, em RS:X, igualou hoje o 11.º lugar de Pequim2008.

"As próximas gerações têm que descobrir o seu caminho, o seu trajeto. Este foi o meu, foi desta forma. Eu gostava que todos os portugueses que aqui estão de certa forma também inspirassem mais gente a praticar desporto e quem sabe até a ir aos Jogos Olímpicos. Era um tributo ao nosso trabalho de tantos anos", finalizou.
Por Lusa
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