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Não vai ser pelo mar, mas vamos dobrar o Bojador

Não vai ser pelo mar, mas vamos dobrar o Bojador
Não vai ser pelo mar, mas vamos dobrar o Bojador

Todos nos lembramos da epopeia que Gil Eanes levou a efeito, a bordo de uma caravela, por mares nunca dantes navegados, tal como cantaria o poeta. É histórico: o marinheiro português dobrou o Cabo Bojador. Pois uns 580 anos mais tarde, também nós iremos «dobrar» Boujdour, a caminho da Mauritânia.

E se Gil Eanes teve dificuldades, não se pense que para nós, «novos aventureiros», a vida vai estar facilitada e que vai ser simples chegar lá. Seria, se fossemos pelas boas estradas alcatroadas de Marrocos, mas como se poderá constatar pelas imagens, chegar lá vai exigir esforço. Muito esforço, sobretudo das máquinas.

Os dois elementos da organização do Sahara Desert Challenge que andam a percorrer o percurso, verificando se tudo está em condições para o arranque da caravana, chegaram no sábado à cidade marroquina depois de uns dias por pistas extremamente duras, ora de areia fina, ora de pedra solta, um inimigo terrível para os pneus. Dias em que o cansaço apenas era mitigado pela beleza incrível destas terras do sahara ocidental. E pela hospitalidade do seu povo.

Em Boujdour, todavia, continua a ser triste – e lamentável – ver o estado degradado em que se encontra o pelourinho que assinala a nossa presença. Recorde-se que os portugueses foram dos primeiros europeus a pisarem aquelas terras, o que deveria merecer outro tipo de atenção por parte dos nossos governantes. Mas não. O pelourinho nem sequer é o original (desapareceu?) mas uma réplica paga por um mecenas. E para os que chegam à cidade, garanto que não é fácil sequer dar com ele. Felizmente, a História não se apaga!

E por isso também todos os aventureiros do Dakar farão história e poderão, mais tarde, contar aos netinhos que, também eles, «novos aventureiros», dobraram o tal cabo. Também por «mar», mas desta feita, a espaços, por um mar de areia. O que também exigirá uma boa navegação e uma boa nave.

Vão ser pistas que exigirão algumas perícia na condução, em especial nas de areia, para evitar os atascanços. Daí ser obrigatório que as equipas não se desunam e as viaturas não se afastem demasiado umas das outras, pois em qualquer esquina pode haver necessidade de socorrer um companheiro que, por azar, lá ficou «enterrado». Nas pistas onde o que mais há são «calhaus», há que ter cuidado com estes, pois alguns são tão afiados que cortam um pneu com uma facilidade impressionante. E mudar um pneu com mais de 30 graus à sombra – será que iremos apanhá-los? - não é nada agradável.

Mas aconteça o que acontecer – fiquem «enterrados» ou fiquem com um pneu rebentado – podem ter a certeza que não, irão ficar ali muito tempo. Primeiro irão aparecer, vindo de nenhures, gentios que se disponibilizarão alegremente a ajudar a solucionar o problema. E se estes não aparecerem, irá aparecer o Luis, o homem do «carro vassoura», o último a chegar aos acampamentos e um dos primeiros a partir (por vezes com um par de horas de sono apenas), que nunca, mas nunca deixa alguém para trás. Por isso...tranquilidade é imprescindível.

E, claro, também imprescindível é ter a máquina afinada o melhor possível. Disso, da preparação do equipamento, iremos tratar em futuras croniquetas. Até lá, comente, critique, sugira, mas sobretudo participe. E partilhe!

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