Na " rentrée " futebolística, Pinto da Costa lançou uma ofensiva contra as constantes saídas de jogadores dos respectivos clubes para representarem as selecções. Num tom afirmativo e certeiro, o presidente do FC Porto disse que a situação actual é uma anormalidade e que as federações deveriam pagar os salários dos jogadores quando eles estiverem ausentes dos clubes.

Pinto da Costa tem razão. Os clubes não podem ser penalizados, libertando os seus melhores jogadores - e os mais bem pagos, quase sempre - para jogos, muitos particulares, sem obterem contrapartidas financeiras. Os clubes não podem ser uma espécie de santa casa da misericórdia das federações e as federações, com as receitas dos jogos, da publicidade e dos direitos televisivos, também não precisam de tantas "borlas" dos clubes.

Não é a primeira vez que o presidente do FC Porto vem levantar este problema nos termos em que o faz. Só que, agora, existe uma razão acrescida e que foi a lesão de Nuno Valente, um dos activos mais importantes do FC Porto para a época que se inicia e que vai ficar afastado dos relvados, pelo menos, quatro semanas. Para um clube como o FC Porto que parte para mais esta SuperLiga com a ambição e a pressão de ser o primeiro e de estar em primeiro, não é de estranhar que as palavras de Pinto da Costa se tenham feito ouvir com o ímpeto que lhe conhecemos. E fizeram-se ouvir no âmbito do G14, o que também se percebe, já que esta situação afecta, principalmente, os grandes clubes, aqueles que, como o FC Porto, estão nas ligas europeias e, por isso, sujeitos a um elevado número de jogos.

Há, no entanto, nesta polémica uma "nuance" e sobre esse ponto Pinto da Costa não falou. É que se é verdade que a federação tem uma "galinha de ovos de ouro", pois utiliza os jogadores e garante milhões de euros de receita, também não é menos verdade que os clubes precisam das selecções para que alguns dos seus jogadores ganhem projecção e visibilidade para depois serem vendidos… também a peso de ouro. Neste deve e haver, o FC Porto só tem razões para sorrir olhando, por exemplo, para o outro lado do Canal da Mancha. E como os interesses se cruzam, então a única solução será mesmo, e só, o diálogo e o bom senso para que ninguém perca e apenas ganhe o espectáculo do futebol.