"O automóvel continua a ser a galinha dos ovos de ouro dos governos, sendo encarado como a área onde é fácil obter receitas fiscais para atenuar o défice orçamental." A frase pertence a Fernando Martorell, presidente da ACAP, e resume de forma clara o sentimento que perpassa o sector no nosso país.

As três entidades directamente ligadas ao automóvel (o ACP, a ACAP e a ANECRA) sentiram a necessidade de tomar uma posição conjunta face a nova investida governamental na fiscalidade que impende sobre o automóvel - ecotaxa sobre os combustíveis para ajudar a fazer face aos problemas decorrentes dos incêndios do último Verão.

Os valores divulgados no encontro com os jornalistas - ver resumo nos quadros publicados ao lado - são evidentes. Veja-se por exemplo que Portugal está em terceiro lugar nos impostos que paga ao Estado no momento da aquisição do automóvel; ou as projecções do Orçamento de Estado para 2004, onde o Governo espera arrecadar qualquer coisa como 6. 058 milhões de euros.

"Não se compreende a carga fiscal sobre um bem que todos nós consideramos essencial", sublinhou Alberto Romano, presidente do ACP.

Os impostos (com o famoso IA na frente da lista) foram aumentando ao longo dos últimos 15 anos e tiveram efeitos contrários. A receita do IA aumentou, naturalmente, mas este ano perdeu 20 por cento face a 2002. Ou seja o Governo quis ganhar mais e... perdeu.

A perda de receitas tem uma explicação evidente. Há muito menos carros vendidos e nos últimos 21 meses, apenas em Novembro deste ano se registou uma pequena subida. Mas os números finais de 2003 vão mostrar mais uma perda.

As entidades do sector querem mudanças. Tê-las-ão?