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Luís Portela de Morais: «Ninguém sabe da minha mota»

Piloto KTM está desiludido com a organização do Dakar

• Foto: DR-RECORD

A estreia de Luís Portela de Morais no Dakar'2017 foi longe de ser fácil. Uma queda sofrida na problemática quinta etapa atirou-o rapidamente para fora de cena. Resultado? Uma dolorosa fratura do osso astragalo (osso central da articulação do tornozelo) do pé direito. Devido à gravidade da lesão, Luís foi mesmo obrigado a ser submetido a uma cirurgia na Bolívia. Tudo correu bem, para alívio do português. "Tive sorte por ter sido operado por uma equipa de médicos competente. A minha lesão era muito grave e se não tivesse passado pela cirurgia, podia ter criado coágulos", explicou a Record.

Os acidentes acontecem até aos melhores e Luís sabe disso. O piloto ocupava, aliás, a 34ª posição da classificação geral, sendo o 4º da sua classe e o 6º entre os estreantes. No entanto, não deixa de recordar o seu acidente com alguma mágoa. "O acidente aconteceu devido a um conjunto de fatores. Além de não ter estado cem por cento focado na prova, tive o azar de ter deixado os meus óculos de proteção no camião de assistência que foi obrigado a partir mais cedo. Corri com um par emprestado e que não era adequado para a minha visão. Prejudicou a minha visibilidade que já era reduzida por causa do mau tempo", lamentou. "Depois pequei por ter lido mal o roadbook. Em vez de contornar dois perigos, fiz apenas num. Conforme a queda, a mota rodou sobre o meu corpo e deve ter sido assim que sofri esta lesão complicada", esclareceu-nos. 

Vinte minutos depois, Luís foi socorrido de helicóptero. Para trás ficou a sua KTM que permanece, aliás, em paradeiro desconhecido. "Ninguém sabe da minha mota", disse surpreendido. "Estou à espera que a A.S.O (Amaury Sport Organization) resolva o problema. Os pilotos assinam um papel que garante que a organização do Dakar é responsável pelos veículos em prova. Se no final não a encontrarem, então tratarei de avançar com um processo judicial", sublinhou.

Mais críticas

Mas as críticas à organização do Dakar não ficam por aqui. Segundo Luís, os pilotos participantes são deixados um pouco à sua sorte. "Eu e outros pilotos internados no hospital na Bolívia não fomos acompanhados. Acabei por ajudar o Toby Price (piloto australiano) a comunicar com a equipa médica, traduzindo o espanhol em inglês", recordou, desabafando. "Esperava mais de uma prova como o Dakar, cuja inscrição custa mais de 15 mil euros".

De volta a Portugal, Luís recupera em casa na companhia da família. O tempo de recuperação está marcado para três meses, se tudo correr pelo melhor. Recuperar a cem por cento é objetivo principal do também jogador de râguebi (Direito), que garante não pensar em correr tão cedo na prova mítica de todo-o-terreno. "Se tudo correr bem, farei de tudo para estar presente na fase final do campeonato de râguebi. Dakar? Não voltarei tão cedo".

Por Alexandra Beny
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