Record

Assinatura Digital Premium Saiba mais

Uma verdadeira odisseia

Olá a todos. Infelizmente para mim o Dakar acabou na quarta etapa, a chegar a Tupiza na Bolívia. Mas a aventura continua a grande vapor. Não vos escrevi antes pois tive alguns problemas mecânicos e de saúde nas primeiras três etapas. Na segunda, depois de ter abastecido, a minha mota não voltou a pegar. Tinha a bateria gripada e a fazer curto circuito. Foi desesperante e pensei que ia ficar por ali...

Estavam cerca de 40 graus, mas não desisti e, com a ajuda de um local, consegui meter a mota a trabalhar. Contudo, faltavam cerca de 150 quilómetros e não podia de maneira alguma deixar o motor calar. Tudo corria bem até chegar a um controlo de velocidade, onde tive de travar muito rápido e, aí, deixei o motor calar. Por sorte havia um polícia que tinha uns cabos de bateria e lá continuei até ao final, sempre com uma grande indisposição devido a uma virose que apanhei - estive desde dia 1 a 3 de janeiro sem conseguir comer nada; só conseguia beber água e não a suficiente.

Na terceira etapa, já um pouco melhor, consegui imprimir um ritmo razoável e passei cerca de 50 pilotos em pista. Cheguei ao final do dia extremamente cansado, muito devido a falta de alimentação. Aqui a grande dificuldade não são as especiais cronometradas, mas sim os troços de ligação que são infinitos e não se vê o fim.

Dormi que nem um anjo nessa noite e acordei recuperado do meu problema de saúde. Parti para a quarta etapa com vontade e tudo corria às mil maravilhas, rodava entre os 40 primeiros da geral, mas a 12 quilómetros do final, dentro de um rio, o azar bateu-me à porta. Choquei numa pedra que estava escondida e foi o fim do rali para mim. Ainda meti uma cinta a agarrar o guiador que se partiu e tentei ser rebocado até ao bivouac, mas o rio tinha tantas pedras que não era fácil ser rebocado. Voltei a cair, e como não conseguia mexer o braço esquerdo, pensei que era uma estupidez voltar a tentar ir até ao final. Fui evacuado de helicóptero para Tupiza onde fui visto pelos médicos de corrida. Fiz uma pequena cirurgia num dedo da mão, que agora está impecável. Continuo sem conseguir mexer muito bem o braço esquerdo mas dizem que é uma luxação... Achava que ia para casa mais cedo mas a aventura continua.

Temos um carro press inscrito em prova e aí começou nova aventura. Avariou... E, como devem calcular, estamos no terceiro mundo, pelo que em Tupiza não existe um concessionário Mercedes. O que fazemos? Reboques não há... Nunca mais conseguimos sair daqui... Andámos o dia inteiro à procura de um mecânico que nos ajudasse e, por volta das 10 da noite, encontrámos o anjo Abel, que nos disse 'amanhã arranjo o carro. Estejam na minha oficina as 9 horas'. E a essa hora lá estávamos. Fomos comprar um rolamento, de seguida seguimos para um torneiro fazer uma peça, depois fomos comprar uma correia - que não foi fácil encontrar - e, posteriormente, chegámos à oficina, onde começámos a montar peças. Até um bocado de lata de cerveja levou!

Pensámos para nós que o melhor seria ir para a Argentina, onde há Mercedes e reboques, mas o Abel disse que podíamos continuar a acompanhar o Dakar. "A correia e o rolamento estão mucho buenos", disse-nos.

Aí decidimos ir ao salar de Uyuni esperar pela caravana do Dakar, que fica a 200 quilómetros de Tupiza, numa estrada montanhosa com meia dúzia de quilómetros de asfalto. Passados 70km... tivemos um furo. Mudámos o pneu e remendámos logo o outro, não vá acontecer outra vez! Demorámos 6 horas... mas chegámos! Fomos visitar o salar onde há um monumento ao Dakar, uma beleza...

Neste momento estamos no hotel. Chove torrencialmente e penso que amanhã não haverá etapa.

Para mim a aventura vai continuar e espero conseguir voltar para o próximo ano.

Por David Megre
Deixe o seu comentário

Últimas Notícias

Notícias
SUBSCREVA A NEWSLETTER RECORD GERAL
e receba as notícias em primeira mão

Ultimas de David Megre no Dakar'2017

Notícias

Notícias Mais Vistas

M M