A etapa ontem foi muito longa. Chegámos tarde, muito cansados e pouco tempo sobrou. Fez-se um duche e um jantar muito rápidos porque a prioridade era dormir. Descansar. No primeiro dia o cansaço faz-se sentir. Até porque nestas etapas longas sofro por não conseguir fazer uma alimentação razoável. O pequeno-almoço nos hotéis marroquinos não satisfaz e depois passa-se o resto do dia a comer barras. Para além disso, este princípio de corrida foi algo stressante. Ontem, por exemplo, demos connosco às 6:15 h da manhã à porta do hotel onde era suposto haver um autocarro para nos levar ao complexo desportivo a meia hora de distância no outro lado da cidade, mas que já tinha partido e não se sabia quando voltaria. Os horários nunca foram definidos e acertar com o momento de partida do autocarro era uma espécie de lotaria. Os táxis em Fez são imensos mas estão sempre ocupados. Aquela hora não passava nenhum ou, se passava, estava ocupado. Angustiados por ver o tempo passar, acabámos por apanhar boleia de um simpático concorrente que encheu a traseira da sua carrinha com pilotos desesperados.

Hoje acordámos sem ainda saber qual a nossa hora de partida. Uma consulta na Internet permitiu-nos perceber que algo de estranho se passava com a classificação dos camiões, tema que tentámos resolver logo de imediato mas que ainda não está concluído.

O início da especial de hoje foi excelente, conseguimos andar depressa o que nos deixa sempre contentes, pois para isso dependemos da qualidade de funcionamento dos amortecedores. Contudo, foi "sol de pouca dura". Quando chegámos ao CP 1 percebemos que todos os veículos de corrida estavam lá parados. Uma foto que tive pena de não ter tirado: carros e camiões alinhados em frente ao carro do CP, as motos amontoadas e os motards a transbordar por debaixo do pequeno toldo que o controlador tinha amarrado ao seu carro, a única sombra possível. Conclusão, há sempre coincidências estranhas na nossa vida e eu vivo sempre esta: cada vez que venho para o deserto cai um chuveirão daqueles. Ora a organização não teve o cuidado de fazer o reconhecimento depois da chuva que caiu há dois dias e os motards, quando chegaram a um oued, foram confrontados com a impossibilidade de atravessar um curso de água com cerca de dois metros de profundidade. Voltámos assim todos para casa e a etapa resumiu-se a 130 km.


Autor: Elisabete Jacinto